FMI prevê que haverá nuvens de tempestade

A previsão anterior era de 4,2%. No caso do Brasil, a estimativa saltou de 5,5% para 7,1% neste ano, com previsão de ritmo de crescimento econômico mais lento em 2011, quando deverá crescer 4,2%. Entretanto, ao divulgar a Perspectiva para a Economia Mundial, o economista-chefe do Fundo, Olivier Blanchard, advertiu que “nuvens de tempestade estão …

10/07/2010 08:50



A previsão anterior era de 4,2%. No caso do Brasil, a estimativa saltou de 5,5% para 7,1% neste ano, com previsão de ritmo de crescimento econômico mais lento em 2011, quando deverá crescer 4,2%. Entretanto, ao divulgar a Perspectiva para a Economia Mundial, o economista-chefe do Fundo, Olivier Blanchard, advertiu que “nuvens de tempestade estão no horizonte” e podem desinflar o otimismo apontado por esses mesmos números.

Blanchard referiu-se especialmente às ameaças desencadeadas pela crise da Grécia e por sua extensão à Europa. Concluiu que esses riscos podem gerar uma “turbulência financeira, transtornos no mercado de financiamento e congelamento do mercado interbancário” no continente, com óbvia repercussão em todo o mundo. Mas também apontou os receios do Fundo com relação ao corte das medidas fiscais adotadas para recuperar as economias avançadas durante a crise mundial e aos desequilíbrios ainda presentes entre países emergentes.

“Enquanto nós continuamos cautelosamente otimistas sobre o ritmo de recuperação, há claros perigos e mudanças de política pela frente”, afirmou. “Como a Europa vai lidar com o seu problema fiscal e financeiro, como os países avançados vão proceder com a consolidação fiscal, como os países emergentes vão reequilibrar suas economias (são fatores que) determinarão os resultados deste e do próximo ano”, completou Blanchard.

O relatório do Fundo chamou a atenção para o duplo risco ao qual os países emergentes asiáticos e latino-americanas estão sujeitos. Primeiro, o erro na dose e no momento do ajuste fiscal dos países desenvolvidos. Segundo, o superaquecimento de suas próprias economias. O documento não cita países, mas claramente se refere às economias da China, da Índia e do Brasil. “Esses riscos ao crescimento nas economias avançadas (eliminação das medidas que impulsionaram a atividade nos últimos meses) também complicam a gestão macroeconômica em algumas das principais economias emergentes de rápido crescimento da Ásia e da América Latina, que enfrentam alguns riscos de superaquecimento”, informa o texto divulgado ontem.

O risco inflacionário nas economias emergentes foi um dos fatores apontados com preocupação no documento. A inflação anual média nesses países tende a alcançar 6,25%, em 2010, e a baixar para 5%, no ano seguinte. Tratam-se de dois porcentuais superiores ao centro da meta inflacionária brasileira, de 4,5%. Nos países avançados, a variação de preços ao consumidor tenderá a permanecer sob controle – 1,25%, em 2010, e 1,50, em 2011 – ou em deflação.

De acordo com as previsões do FMI, as economias avançadas crescerão 4,6% neste ano – 0,4 ponto porcentual acima da estimativa de abril. A expansão da atividade nos Estados Unidos deverá alcançar 3,3%. Na região do Euro, o crescimento será de apenas 1,0%, e no Japão, de 2,4%. Entre os emergentes, o aumento da atividade será de 6,8% – 0,5 ponto porcentual a mais que o registrado em abril. Além da expansão de 7,1% no caso do Brasil, o Fundo apurou que a China deverá crescer 10,5%, enquanto a Índia, 9,4%.

Segundo Blanchard, esses cálculos refletem “um vigor maior na atividade econômica no primeiro semestre deste ano, que deve repercutir ainda no segundo período”. Em 2011, o Fundo prevê uma redução no ritmo de crescimento mundial, que deverá permanecer em 4,3%. As economias avançadas devem se expandir em 2,4%, e as emergentes, em 6,4%. O Brasil, em 2011, deverá crescer 4,2% – apenas um ponto porcentual acima do estimado em abril.