Candidatos do PSB admitem abandonar Mauro Mendes

O clima entre os candidatos do PSB a deputado estadual não é dos melhores. A maioria deles enfrenta dificuldades por falta de estrutura financeira de campanha. Esse seria mais um episódio da crise interna da aliança que apóia a candidatura do empresário Mauro Mendes ao Governo de Mato Grosso. Conforme foi apurado, a cúpula da coligação …

09/09/2010 14:22



O clima entre os candidatos do PSB a deputado estadual não é dos melhores. A maioria deles enfrenta dificuldades por falta de estrutura financeira de campanha. Esse seria mais um episódio da crise interna da aliança que apóia a candidatura do empresário Mauro Mendes ao Governo de Mato Grosso.

Conforme foi apurado, a cúpula da coligação “Mato Grosso Melhor Pra Você”, liderada pelo próprio Mauro Mendes (PSB), teria combinado uma estrutura mínima para auxiliar os candidatos proporcionais – sobretudo, os que disputam vagas no Legislativo Estadual -, mas o recurso financeiro não estaria chegando ao destino final.

O grupo, liderado pelos cinco candidatos da Capital (Jardel Taques, Clarito Júnior, Adolfo Grasse, Faissal e Dinorá Magalhães) estaria disposto, inclusive, a tomar uma “atitude radical”. Eles já admitem a possibilidade de romper com a candidatura majoritária, abandonando, inclusive, o projeto de reeleição do deputado federal Valtenir Pereira (PSB) ou, até mesmo, desistindo em conjunto do pleito.

Segundo as informações, os recursos financeiros, como combinado, não estaria chegando aos comitês das candidaturas dos estaduais, tanto da Capital, como do Interior.

“Não se sabe se o recurso não saiu da candidatura majoritária, ou se foi repassado e não chegou ao destino final”, afirmou um dos candidatos, que pediu para não ser identificado.

Só na conversa

Outro candidato, consultado pelo site, revelou que, até o momento, tudo está somente na conversa. “A majoritária fala que passou o dinheiro, mas a direção do partido afirma que não recebeu. Alguém está mentindo”, disse um dos candidatos.

O repasse semanal seria de R$ 80 mil, em combustível, para os cinco candidatos de Cuiabá.

Quanto à possibilidade de desistirem da campanha socialista, um deles disse que “isso existe e é real”. “Tudo, agora, depende de uma conversa. O negócio está feio aqui. Não estou trabalhando para passar vergonha ou só para fazer festinha. Se não resolverem esse problema, vou jogar a toalha e vamos comunicar a imprensa, numa coletiva”, disse o candidato.

Um dos candidatos levanta a suspeita de que Valtenir estaria direcionando o recurso para a sua própria campanha. Por este motivo, os candidatos já iniciaram entendimentos com o candidato a deputado federal Eduardo Moura (PPS), que disputa diretamente uma vaga na Câmara Federal com Valtenir.

“Estamos descobrindo quem realmente é Valtenir, pois o Mauro [Mendes] tem falado que passou o dinheiro. Inclusive, outros partidos da coligação estão recebendo o repasse com normalidade, toda semana”, declarou um candidato a deputado estadual.

Outro lado

O coordenador geral da campanha do deputado Valtenir Pereira, Renato de Andrade, informou ter conhecimento das reclamações dos candidatos a deputado estadual, mas descartou qualquer possibilidade de não repasse ou desvio dos recursos. “Escuto, todos os dias e todas as horas, essa reclamação e tenho explicado para eles, na medida do possível”, declarou.

Andrade criticou a “falta de preparo” dos candidatos para disputar a eleição. Segundo ele,  alguns (sem citar nomes) sequer teriam estrutura para chegar ao comitê geral da campanha.

“Um político, para ser candidato, tem que ter o mínimo de condições para entrar na disputa. Estou encontrando esse tipo de dificuldade aqui em Mato Grosso, onde o candidato quer tudo bancado pelo partido”, destacou.

Quanto ao combinado, de que a candidatura majoritária repassaria R$ 80 mil por semana ao grupo de cinco candidatos da Capital, Renato Andrade negou a informação e ressaltou que o combinado foi de oferecer materiais, produção da propaganda eleitoral e a estrutura mínima de campanha.

“O Mauro Mendes falou isso antes de eles serem candidatos. Vejo essa chiadeira como normal de campanha e não é exagerada, pois isso faz parte do processo”, afirmou.