300 demissões confirmadas

Pelo menos 300, dos cerca de 700 funcionários diretos da unidade do JBS-Friboi, em Cáceres (250 quilômetros ao oeste de Cuiabá), começam a assinar na semana que vem as rescisões contratuais que deverão ser homologadas entre quinta-feira e sexta-feira. Conforme uma funcionária do Sindicato, houve um comunicado do JBS-Friboi confirmando as primeiras demissões. Ninguém soube …

10/09/2010 11:03



Pelo menos 300, dos cerca de 700 funcionários diretos da unidade do JBS-Friboi, em Cáceres (250 quilômetros ao oeste de Cuiabá), começam a assinar na semana que vem as rescisões contratuais que deverão ser homologadas entre quinta-feira e sexta-feira. Conforme uma funcionária do Sindicato, houve um comunicado do JBS-Friboi confirmando as primeiras demissões. Ninguém soube informar se haverá redução no número de colaboradores, ou se os desligamentos serão realizados em duas etapas. Ainda segundo o sindicato, alguns funcionários da área administrativa serão transferidos para outras unidades do Grupo no Estado.

Na cidade, o volume de demissões passa a ser um indicativo claro de que a anunciada paralisação por 90 dias deverá se estender por um prazo ainda maior. A unidade é a maior empresa privada do município e somente a suspensão da folha de pagamento dos seus 700 colaboradores diretos vai tirar da economia local, principalmente do comércio e prestadores de serviços, cerca de R$ 406 mil ao mês, considerando o volume de funcionários e uma média salarial de cerca de R$ 580, piso comercial.

O fechamento da unidade, mesmo que temporário, desencadeará um ‘efeito cascata’ sobre a economia local, como avalia o presidente do Sindicato Rural, João Oliveira Gouveia Neto. “Além da perda de empregos diretos, a unidade gera toda uma rede de prestadores de serviços, desde hotéis, passando por transportadores de bois, de carnes e de empresas fornecedoras ao Grupo, que eleva o número de dependentes da empresa para cerca de 5 mil”.

O encerramento das atividades não foi confirmado pela assessoria de imprensa do Grupo, que fica em São Paulo. O Diário fez contato e aguardou retorno até o fechamento, por volta das 19h30 de ontem.

A notícia de que o fechamento da unidade seria efetivado a partir de ontem, ecoou após o feriado de 7 de Setembro. Os funcionários que vinham de férias coletivas de 30 dias foram informados de que o recesso seria estendido por mais 90 dias. Conforme o Sindicato Rural, ontem mesmo a unidade já não operou, “apenas o setor de calibragem e de vendas diretas funcionou”, contou o gerente sindical, Liberato Lino da Silva Júnior. Ainda como ele aponta, a desativação da unidade de maneira temporária, ou não, ainda não foi oficialmente comunicada. O presidente do Sindicato, João Neto, conta que entre os motivos para a paralisação estaria a falta de retorno financeiro no mercado interno, já que a unidade não tem habilitação para exportação e que a desativação poderia estar sendo revista pelo JBS no início do próximo ano, podendo voltar a operar normalmente. A planta de Cáceres é uma das nove unidades do Grupo no Estado e tem capacidade para abate de até 600 animais/dia.

Ainda de acordo com informações apuradas em Cáceres, o sistema de venda direta de carnes que o JBS adotou, por meio de vans e feito porta-a-porta, será mantido e as 13 que operam na cidade serão abastecidas pela planta de Araputanga, próxima a Cáceres.

MOTIVOS – Como o Grupo não emite esclarecimento oficial, várias hipóteses foram disseminadas na cidade para justificar o fechamento da unidade, que há sete anos pertencia ao Grupo, mas que operava há 25 anos. O fechamento poderia ser fruto de uma estratégia comercial para forçar os ajustes dos preços pagos pelos bois e que a empresa estaria enfrentando problemas com as vendas no mercado interno e externo e para reduzir prejuízos estaria desativando temporariamente algumas unidades pelo país. Ainda no campo das especulações, há quem diga que o mercado estaria rejeitando a carne produzida em Cáceres porque a maioria dos animais abatidos estariam sendo alimentados com ração, o que estaria comprometendo o sabor dos cortes. A empresa também estaria decepcionada com os últimos gestores do município que ao longo dos anos não se preocuparam em pavimentar e melhorar a infraestrutura do entorno do maior gerador de emprego da cidade.

PROBLEMAS – Anteontem, o mercado nacional recebeu a informações de que o governo russo suspendeu de forma temporária, as importações de carne bovina de três unidades do frigorífico JBS-Friboi e de carne de aves de uma unidade da Seara Alimentos, comprada pelo Marfrig em setembro de 2009. Duas unidades do JBS estão em Mato Grosso, uma em Barra do Garças e a outra em Araputanga. Sobre o embargo, “a JBS informa que desconhece o motivo da desabilitação e comunica que manterá o fornecimento aos clientes daquele país através de outras plantas habilitadas no Brasil e nas demais plataformas de produção que a Companhia possui em países habilitados ao mercado russo. Dessa forma, a JBS acredita que o impacto financeiro resultante das medidas tomadas pelas autoridades russas tende a ser pouco relevante à Companhia”. (Colaborou Clarice Navarro Diório, da sucursal de Cáceres)