Mauro discute com aliado e caso vai parar na Polícia

Um descontrole na contratação de cabos eleitorais por parte do candidato a deputado estadual César Lima (PSB) fez com que o candidato a governador pela sigla, Mauro Mendes, registrasse na Polícia Civil uma queixa contra o próprio companheiro de partido. “Ele está usando indevidamente o nosso nome. Já foi registrado na Polícia um Boletim de …

17/09/2010 15:25



Um descontrole na contratação de cabos eleitorais por parte do candidato a deputado estadual César Lima (PSB) fez com que o candidato a governador pela sigla, Mauro Mendes, registrasse na Polícia Civil uma queixa contra o próprio companheiro de partido.

“Ele está usando indevidamente o nosso nome. Já foi registrado na Polícia um Boletim de Ocorrência contra esse candidato por estelionato”, declarou o socialista.

Mauro Mendes, por pouco, não viveu uma situação constrangedora, na manhã desta sexta-feira (17): minutos após entrar no estúdio da Rádio Cultura de Cuiabá, para uma entrevista, César chegou com vários cabos eleitorais que aguardavam o candidato sair para cobrar seus pagamentos. O grupo foi contido, os ânimos se acalmaram e os cabos eleitorais foram desmobilizados antes de Mauro deixar a emissora, por volta de 11h30.

De acordo com as informações, os cabos eleitorais foram contratados para trabalhar por 45 dias e, pelo acordo, o pagamento seria quinzenal, totalizando R$ 750. O grupo trabalhou pedindo voto para César Lima, para o deputado federal Valtenir Pereira e para Mauro Mendes.

Eles afirmaram que as três últimas quinzenas foram pagas. Todos ressaltaram que possuem contratos, com os dados do comitê financeiro de Mauro.

Segundo o secretário-geral do PSB, Suelme Evangelista Fernandes, que acompanhou a negociação com os cabos eleitorais, o partido autorizou a contratação de 10 pessoas por cada candidato a deputado estadual, mas César teria contratado 150 pessoas.

“O partido vai tratar disso nos fóruns internos. Isso não é um debate público e não acho que é relevante para campanha de governador”, disse Suelme, tentando acalmar os ânimos e proteger a imagem do candidato a governador.

Mauro disse ter uma ata, assinada por todos os candidatos e partidos da sua coligação, determinando o número de contratações que foram autorizadas pela majoritária. “Então, é um problema de César Lima com o partido: se ele contratou mais do que o partido dele autorizou, ele deve pagar. Ele recebeu autorização para contratar 10 e contratou 150. Agora, ele quer que eu pague. Você acha que é justo isso?”, indagou.

Armação de adversários

Na ocasião, Mauro Mendes levantou a suspeita de que César Lima estaria agindo a mando de adversários, sem citar nome de quem estaria por trás dessa suposta ação.

“Ele não pode vir aqui querer fazer barulho. Eu até acho que ele está sendo utilizado por algum adversário, para tentar fazer um ‘boatozinho’. Mas, quem está ao lado da verdade não tem medo”, disparou.

Pagamento

Quanto à possibilidade de ele pagar essa contratação, para minimizar problemas em sua campanha, Mauro foi duro ao descartar a possibilidade disso acontecer.

“Eu não posso sucumbir diante de chantagem, porque senão não terei pulso firme para ser governador desse Estado. Você tem que fazer a coisa certa diante da coisa errada e não fazer a coisa errada diante da coisa errada”, declarou.

Polícia Federal

Além do Boletim de Ocorrência, Mauro Mendes afirmou que pedirá a abertura de um processo de investigação na Polícia Federal e no Ministério Público Eleitoral. “Isso foi agir de má-fé. Nenhum cidadão pode agir em nome de outro, sem que tenha autorização expressa para isso. Se ele foi a campo contratar além do autorizado é responsabilidade dele. Fora disso, é picaretagem”, analisou.

Respingos

Quanto a um possível desgaste a sua campanha, o candidato do PSB avaliou que, se a verdade for colocada, não haverá prejuízo político para ele.

“Eu o desafio a achar alguém que trabalhou para mim que não recebeu, isso em 25 anos. Eu acho que é uma falta de ética do candidato. É uma mentira o que ele está dizendo”, afirmou.

Atitude

A respeito da ação do candidato, Mauro disse que isso foi uma falta de ética e falta de responsabilidade de César Lima. “Sob o ponto jurídico, vamos ver em quais os crimes ele incorre. Vamos acioná-lo, sob esse ponto de vista. Não autorizamos [a contratação dos cabos eleitorais]. Então, não temos responsabilidade. Eu não tenho medo de enfrentar a verdade”, disse.

Nervosismo

César Lima não falou com a imprensa. Ele e Mauro se reuniram em uma sala fechada, na Rádio Cultura, em companhia de alguns assessores. Ele se mostrou bastante nervoso, ao ser ver cercado pelos seguranças do candidato a governador.

Os dois deixaram a emissora sem se falar. Em alguns momentos em que a porta da sala era aberta, deu para ver Mauro em pé e César sentado, como se este estivesse recebendo broncas.