Novos padrões para MT

A divergência na classificação da soja, problema que vem incomodando o produtor desde que a oleaginosa foi inserida no mercado como commodity agrícola e comercializada em grande escala pelas tradings, continua tirando o sono de muitos agricultores. Afinal, o produtor planta, colhe, vende, mas, na hora de entregar a produção para as tradings ou armazéns, …

19/09/2010 11:00



A divergência na classificação da soja, problema que vem incomodando o produtor desde que a oleaginosa foi inserida no mercado como commodity agrícola e comercializada em grande escala pelas tradings, continua tirando o sono de muitos agricultores. Afinal, o produtor planta, colhe, vende, mas, na hora de entregar a produção para as tradings ou armazéns, acaba tendo prejuízos porque a classificação do produto, para efeito de aplicação dos “descontos” sobre impurezas e grãos avariados, nem sempre é feita de forma correta pelas empresas. A ausência de metodologia uniforme para a avaliação do produto pode chegar a até 50% do montante “real”.

Para tentar corrigir esta disparidade, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e de Mato Grosso (UFMT), além de consultores, elaborou um estudo sobre a “uniformização” dos procedimentos dos descontos, buscando encontrar uma fórmula nos cálculos onde nem produtores nem compradores saiam perdendo.

A Aprosoja/MT defende a adoção de algumas medidas visando facilitar e tornar mais justas as práticas comerciais mantidas atualmente entre tradings e produtores.

“O objetivo deste projeto, que se encontra agora na Câmara Setorial da Soja, em Brasília, é discutir, avaliar e formatar um novo modelo de classificação e padronização. Existe legislação e queremos que ela seja cumprida”, afirma o diretor técnico da Associação, Luiz Nery Ribas.

“Normalmente, as empresas aplicam o desconto sobre a carga bruta. Por exemplo: se o produtor chega com uma carga de 27 toneladas, a trading ou armazém faz a coleta, verifica o percentual de impureza e aplica o cálculo sobre todo o lote, sem levar em contra outros itens, como umidade e grãos avariados. O mesmo índice, portanto, é aplicado para toda a carga, o que acaba gerando uma perda acumulada para o produtor”, aponta o sojicultor Itamar Neves.

Ele entende que é errado aplicar o desconto sobre a carga bruta. “Toda vez que isso ocorre pode estar havendo perdas. Temos informações de cargas que foram negativadas no momento da entrega. Ou seja, o produtor, mesmo entregando a produção, ainda ficou devendo para a empresa”.

Diversas reuniões já foram realizadas entre a Aprosoja/MT e a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) para discutir os novos padrões de classificação de soja. Mas até agora não se chegou a um consenso sobre quais devem ser os procedimentos para os descontos nas cargas do produto. “A verdade é que hoje isso não está claro nos contratos e o produtor precisa saber quanto irá ser descontado”, afirma Nery Ribas.

EQUILÍBRIO – Na realidade, os produtores estão buscando um consenso com a indústria para que ninguém saia perdendo. “Queremos implantar uma nova metodologia de descontos para impurezas, umidade e os produtos estragados (avariados). O estudo já está pronto e vamos buscar uma uniformização dos padrões, pois os sojicultores não podem ter prejuízos na hora de entregar seus produtos”.

O estudo da Aprosoja/MT aponta que o atual molde da operação comercial de soja em grão acaba por onerar os produtores e “mascarar” os reais custos de padronização e o valor efetivo recebido pelo produtor no ato da venda.

“Esse fato acarreta perdas para o produtor, que recebe um valor menor pela sua soja e perdas de arrecadação, já que esse volume excessivo descontado pelas tradings é adquirido pelas mesmas a custo zero, logo, sobre este volume não incide nenhum dos impostos devidos”, frisa o estudo. A Aprosoja/MT defende a aplicação da nova prática já na safra 10/11, que deverá ser colhida a partir de janeiro do próximo ano.