ONG avalia avanço de soja sobre terras indígenas em Mato Grosso

25/09/2010 09:16



De 78 terras indígenas catalogadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em Mato Grosso, pelo menos 30 estão em cidades que cultivam mais de 10 mil hectares de soja. A informação está em pesquisa realizada durante o mês de julho e divulgada nesta quarta-feira (22) pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da organização não governamental Repórter Brasil.

A pesquisa avaliou o avanço da produção de soja sobre terras indígenas no estado. Segundo o relatório, problemas como desmatamento, desertificação e contaminação de solos e de água têm afetado diversas reservas na região.

Localizada no nordeste de Mato Grosso, a Terra Indígena (TI) Maraiwatsede é uma das mais afetadas pelo avanço de plantações de soja, de acordo com a pesquisa. A reserva tem 90% de seu território ocupado irregularmente por fazendeiros e posseiros não indígenas. A maior parte deles está envolvido com criação de gado ou produção de soja e arroz, segundo o relatório.

A ONG ainda cita a análise deste ano do Programa de Monitoramento de Áreas Especiais (ProAE) do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que indica a derrubada de 45% de mata original na TI Maraiwatsede.

De acordo com a Repórter Brasil, duas fazendas de soja são as maiores responsáveis pelo desmatamento irregular na região. A ONG lembra que os proprietários foram multados diversas vezes pelo Ibama, além de terem recebido denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A situação também é delicada nas terras indígenas Sangradouro, Paresi Irantxe e Nambikwara, que começaram a cultivar soja em parceria com fazendeiros e também são questionadas por autoridades, segundo a pesquisa.

O Mato Grosso é o maior produtor de grãos de soja no Brasil, lembra o relatório. Segundo dados de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44 das 141 cidades do estado não cultivam ou não têm registro do cultivo de soja.





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