Sem Zico, futebol do Flamengo fica sem comando

No mesmo auditório Rogério Steinberg, na Gávea, onde há quatro meses anunciou a contratação de Zico, intitulada como a maior conquista de sua administração, Patricia Amorim, em coletiva, oficializou a demissão do Galinho, que já havia anunciado o seu afastamento na madrugada de sexta-feira. Por enquanto, o futebol rubro-negro está acéfalo. Antes de sentar à …

02/10/2010 19:19



No mesmo auditório Rogério Steinberg, na Gávea, onde há quatro meses anunciou a contratação de Zico, intitulada como a maior conquista de sua administração, Patricia Amorim, em coletiva, oficializou a demissão do Galinho, que já havia anunciado o seu afastamento na madrugada de sexta-feira. Por enquanto, o futebol rubro-negro está acéfalo.

Antes de sentar à mesa para explicar os motivos da demissão do ídolo, Patricia Amorim passou ao lado da estante onde repousa uma publicação na qual se lê na capa: Zico fica. Doce ironia. O ídolo já havia deixado a Gávea e, com ele, levou o comando do futebol. Vinícius França, vice de futebol que chegara junto com o Galinho, também pediu demissão.

Por enquanto, este setor segue sem comando e a questão só deve mesmo ser resolvida a partir de segunda-feira. O temor da diretoria agora é que haja resistência de alguns nomes para gerir o futebol. A não ser que seja uma velha raposa, outros nomes podem hesitar ao observar que até mesmo Zico não resistiu ao fervor do caldeirão político.

Na tentativa de amenizar o caso e mostrar serenidade, Patricia Amorim evitou críticas fortes ao presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro, o Capitão Léo.

– O Conselho Fiscal está no seu papel de fiscalizar. É importante que haja esse controle. Às vezes, a gente pode questionar a forma que se apresenta isso. Até porque as coisas são esclarecidas, e serão sempre – afirmou Patricia Amorim.

A dirigente negou com veemência a participação de Bruno Coimbra, filho de Zico, em negociações do clube. Na parede, ainda repousava o quadro com a publicação sobre o ídolo. Mas Zico, desta vez, não fica.

Confira um bate-bola com a presidente Patricia Amorim:

1 – Como você recebeu a notícia da demissão de Zico?

Eu estava em casa vendo o debate dos presidenciáveis e às 0h28 recebi um SMS do Zico, dizendo que só havia chegado em casa àquela hora e que tinha nascido o neto dele, o que o deixava feliz e que ele queria conversar comigo pessoalmente. Mas que ele postara no site dele o pedido de demissão. Falava apenas sobre isso e agradecia a confiança.

2 – O trabalho de Zico foi muito prejudicado?

Se não funcionou, não faltaram tentativas e ações. Ainda não foi dessa vez que ele ficou mais tempo com a gente. Nós não desistimos da ideia, ele realmente plantou uma semente. Com isso, tenho total convicção de que ele vai ficar totalmente satisfeito. Minha gratidão vai ser trabalhando cada vez mais.

3 – Acredita que o Zico deveria ter resistido mais às pressões sofridas?

Eu gosto desse desafio. Cada um age de uma forma. Não estou aqui para julgar a postura do Zico. Estou aqui para agradecer. Gostaria que ele tivesse ficado mais. Essas acusações serão esclarecidas devidamente no fórum adequado em que devem ser resolvidas.