Alta superior a 4%

Não foi na mesma proporção da alta do etanol – entre 7% e 8% -, mas os preços da gasolina pegaram “carona” e iniciaram o dia de ontem mais caros, em média, 4,12%. Com a alta, o litro do combustível aos consumidores passou a ser vendido nos postos da Grande Cuiabá por até R$ 2,78. …

07/10/2010 09:06



Não foi na mesma proporção da alta do etanol – entre 7% e 8% -, mas os preços da gasolina pegaram “carona” e iniciaram o dia de ontem mais caros, em média, 4,12%. Com a alta, o litro do combustível aos consumidores passou a ser vendido nos postos da Grande Cuiabá por até R$ 2,78. Algumas revendas decidiram “repassar” o aumento na terça-feira à noite, horas depois do reajuste nos preços do etanol, que passou de R$ 1,59 para R$ 1,67, alta de 5,03%.

De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Estado (Sindipetróleo), a alta da gasolina ocorreu devido ao aumento dos preços do etanol, promovido pelas distribuidoras. “Queremos deixar claro que os postos apenas repassaram a alta do etanol praticada pelas distribuidoras”, esclareceu o secretário da entidade, Bruno Borges. Ele lembrou que os postos trabalham com uma margem mínima de lucro e, toda vez que há reajuste na companhia, automaticamente são obrigados a transferir o aumento na bomba.

Bruno Borges explicou ainda que os preços da gasolina sobem toda vez que o etanol é reajustado porque o álcool combustível tem uma adição de 25% à gasolina. “Se o preço do etanol aumentar, a gasolina passa a ficar automaticamente mais cara porque recebe um produto que já teve alta”.

Na Grande Cuiabá, praticamente todos os postos abriram ontem estampando placas com os novos preços, que variam entre R$ 2,77 e R$ 2,78.

“Para mim foi uma surpresa”, disse o funcionário de um posto da Avenida Rubens de Mendonça, que deixou o local de trabalho na terça-feira, às 15 horas, e ficou sabendo da alta pela manhã, ao retornar à empresa. “Ninguém sequer comentou que a gasolina aumentaria ontem mesmo à noite”, disse ele.

Luiz Augusto Souza, gerente de um posto na Avenida Miguel Sutil, também disse que só soube da alta hoje pela manhã. “O patrão não nos comunicou, mas os preços foram reajustados bem cedo, logo na abertura do expediente”, conta.

“Ontem [terça-feira] aumentamos os preços do álcool para acompanhar a alta repassada pelas distribuidoras. Programamos o aumento dos preços da gasolina ontem mesmo, porém a alteração só ocorreu hoje [ontem]”, afirmou o gerente de pista de outro posto na Miguel Sutil.

NERVOSO – Segundo ele, o mercado de combustíveis em Mato Grosso voltou a ficar “nervoso” e ninguém mais se arrisca a fazer previsões sobre o comportamento dos preços nas próximas dias. “Pode ocorrer até mesmo dos preços aumentarem, pois a entressafra de cana-de-açúcar está apenas começando e já mexerem nos preços do etanol”, comenta o secretário do Sindipetróleo, Bruno Borges.

Nos postos, os motoristas continuam reclamando dos altos preços dos combustíveis. “Não dá pra entender por que os preços aqui são tão caros, mesmo com usinas próximas de Cuiabá e com uma grande produção de álcool”, disse o vendedor João Paulo dos Santos.

Por conta da alta nos preços, ele diz que terá de reduzir o consumo em até 30% nos últimos 10 dias. “Costumava completar o tanque do carro – 50 litros – praticamente toda semana e agora coloco no máximo 30. Os preços realmente estão ficando proibitivos e se não colocarmos pé no freio, no final do mês podemos ter um rombo no orçamento”.

O estudante Rogério Campos conta que na semana passada desembolsou R$ 87,45 para abastecer o carro com 55 litros de etanol. Hoje, ele terá de gastar R$ 91,85. Se abastecer com gasolina, o desembolso hoje chega a R$ 152,90, contra R$ 146,85 na semana anterior.