Movimento cresce 100%

A greve dos bancários, que completa hoje 11 dias, dobrou o movimento nas casas lotéricas de Cuiabá. Pessoas em busca de alternativas para pagamento de contas de água, luz, telefone e boletos bancários, e outras em busca do recebimento de aposentadoria, seguro-desemprego, Bolsa Família, PIS e FGTS formam longas filas nas portas das lotéricas. Os …

09/10/2010 08:00



A greve dos bancários, que completa hoje 11 dias, dobrou o movimento nas casas lotéricas de Cuiabá. Pessoas em busca de alternativas para pagamento de contas de água, luz, telefone e boletos bancários, e outras em busca do recebimento de aposentadoria, seguro-desemprego, Bolsa Família, PIS e FGTS formam longas filas nas portas das lotéricas.

Os proprietários reclamam da precariedade do sistema da Caixa Econômica Federal (CEF), que apresenta falhas, é lento e a toda hora perde a conexão devido ao grande volume de operações. Apesar de serem alternativas, as lotéricas têm restrições. Não aceitam boletos cujo valor exceda R$ 1 mil e nem documentos de outros bancos vencidos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos de Mato Grosso, Ademir Souza, só em Cuiabá são cerca de 40 lotéricas, com média de atendimento diário de aproximadamente 20 mil pessoas. “Nos últimos dias o movimento deu um grande salto devido à greve e ao acúmulo do prêmio da Mega Sena”, aponta.

A Lotérica Brasil, por exemplo, registra um aumento de 100% no fluxo de apostadores e pessoas interessadas em pagar uma conta ou efetuar um saque. “Muitas pessoas estão nos procurando devido à greve dos bancários, que restringiu o acesso dos clientes. São pessoas com talões de água, telefone e energia, ou mesmo com boletos bancários. O dia inteiro a loteria está lotada e, para agravar a situação, o sistema para ou fica lento em função do movimento”, conta a gerente da lotérica, Elizabete Lobato.

Ela diz que o tempo médio de atendimento varia de acordo com o dia e o horário. “Quando temos Mega Sena acumulada, o tempo pode chegar à meia hora, mas a média é de 5 a 10 minutos”. Na lotérica, as pessoas utilizam os serviços até mesmo para efetuar saques de Bolsa Família, PIS e FGTS. Temos também os aposentados e pensionistas e clientes da Caixa que fazem saques e emissão de extratos. “Tudo isso acaba gerando um acúmulo de operações que gera o aumento das filas”, lembra a gerente.

Sandro Portela, gerente da Lotérica 13, também constata o aumento de pessoas a procura de atendimento na loja. “Registramos, em média, um fluxo de 500 pessoas por dia. O período crítico vai do dia 1º ao dia 15, época dos pagamentos e dos recebimentos”.

Para o proprietário da Loteria do Porto, Nelson Nishitani, as filas ficam maiores quando as máquinas ficam congestionadas e o sistema sai do ar. “Infelizmente, o sistema é obsoleto e não consegue processar as operações em um tempo mais rápido. Já fizemos o pedido, mas a Caixa ainda não tomou as providências para melhorar o sistema e as condições de atendimento nas lotéricas”, critica. Na lotérica, o movimento também dobrou nos últimos dias, por causa da paralisação dos bancários. Ele contou que as pessoas procuram a lotérica “mais para efetuar o pagamento de contas públicas e de boletos bancários”.

“Quando abrimos a lotérica a fila já está grande. Muitas pessoas comparecem cedo, antes mesmo do horário de expediente, e ficam aguardando na porta”.

Nishitani diz que depois da greve dos bancários o fluxo de pessoas na loja saltou para mais de 500 por dia.

Outras casas, como a Zebrinha e a Morada da Sorte, também registraram um aumento no movimento de clientes nos últimos dez dias. “As filas aumentaram e o fluxo deve se manter enquanto a greve dos bancários continuar”, disse um funcionário.