Embrapa Trigo divulga nota técnica sobre a ocorrência de bacteriose em lavouras de trigo no RS

Mas nesta safra um sintoma diferente tem alertado os produtores, são lesões nas folhas, de aspecto esbranquiçado ou de queima, causadas por uma doença conhecida por bacteriose, que já esteve nas lavouras gaúchas em menor intensidade em 2008.  A  Embrapa Trigo divulgou uma nota técnica sobre o ocorrência da doença, orientando produtores e assistência técnica. Ao …

11/10/2010 10:05



Mas nesta safra um sintoma diferente tem alertado os produtores, são lesões nas folhas, de aspecto esbranquiçado ou de queima, causadas por uma doença conhecida por bacteriose, que já esteve nas lavouras gaúchas em menor intensidade em 2008.  A  Embrapa Trigo divulgou uma nota técnica sobre o ocorrência da doença, orientando produtores e assistência técnica.

Ao longo da semana, os pesquisadores da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), da área de Fitopatologia (doenças de plantas) João Leodato Maciel e Flávio Santana, estiveram visitando lavouras atacadas por bactérias. Conforme depoimento de produtores e assistência técnica de diferentes regiões tritícolas do Rio Grande do Sul, os sintomas apareceram após a segunda quinzena de setembro, quando a instabilidade trouxe dias seguidos de chuva ao Estado, combinado com temperaturas amenas (15 a 20ºC). Análises e avaliações conduzidas no Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Trigo determinaram que o agente causal dessa doença é a bactéria Pseudomonas syringae. Segundo os pesquisadores, P. syringae é uma bactéria de ocorrência comum na superfície das plantas de trigo, mas que precisa de água para se deslocar e infectar.

No Brasil, os danos causados com bacterioses na cultura do trigo têm sido associados a duas espécies de bactérias: Xanthomonas translucens pv. translucens, que causa a estria bacteriana da folha, doença que tradicionalmente ocorre em regiões mais quentes, e Pseudomonas syringae pv. syringae, que causa a doença conhecida como branqueamento ou crestamento da folha, resultado da ação de toxinas excretadas pela bactéria. “Nas avaliações que fizemos em laboratório, não foram encontrados sinais de Xanthomonas, confirmando a hipótese de que os danos nas folhas foram causados por P. syringae.”, afirma Flávio Santana. De acordo com o pesquisador, as bactérias podem ser favorecidas por uma série de condições do ambiente, como clima ou, até mesmo, cultivar. “Devido à característica esporádica da doença, não temos ainda resultados de pesquisa que indiquem quais cultivares são mais ou menos resistentes à bacteriose, mas nos experimentos da Embrapa Trigo observa-se claramente que os sintomas são bastante variáveis em função da cultivar”, explica o pesquisador.

Os danos causados pela bacteriose podem ser semelhantes aos que resultam das manchas causadas por fungos, dependendo da intensidade e momento de infecção, da cultivar e da localização da bactéria na planta: “É nas folhas que ocorre a fotossíntese das plantas, base para a formação e enchimento dos grãos. A folha bandeira – a folha que fica mais perto da espiga – responde por cerca de 70% na formação dos grãos de trigo. Assim, qualquer lesão na área verde das plantas vai afetar o rendimento de grãos da cultura”, esclarece João Leodato Maciel. Entretanto, como cada cultivar responde diferentemente à infecção, não é possível especificar ainda qual o potencial de dano que a bacteriose pode causar no rendimento nas lavouras da região. O importante, segundo os pesquisadores, é o produtor saber que, ao contrário das manchas foliares, os fungicidas não servem para o controle das bactérias, que podem continuar no ambiente mesmo após a aplicação do defensivo. “No entanto, nesta época, o produtor deve fazer uma aplicação para controlar fungos e prevenir doenças de espiga. Em algumas lavouras com cultivares suscetíveis a ferrugem e manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida devido à maior debilidade da planta, sendo então necessário continuar o controle para as demais doenças e não sobrestimar o potencial de dano causado pela bactéria.”, afirma Flávio Santana. No Brasil, ainda não existem bactericidas indicados para cereais de inverno.

“A situação ocorrida no Rio Grande do Sul indica que os danos foram causados pela ação de toxinas produzidas por P. syringae, bactéria que foi favorecida pelas condições climáticas de alta precipitação pluviométrica e temperaturas amenas. Caso essas condições de clima não voltem a ocorrer, a tendência é a de que os sintomas não progridam e cultura possa se recuperar”, observa João Leodato Maciel.

Como diferenciar

O ataque dos fungos nos cereais de inverno forma manchas arredondadas ou pontos escuros (chamados de pústulas, no caso da ferrugem da folha). De outra maneira, as bactérias seguem o fluxo da água na superfície foliar, formando manchas estriadas que secam partes da folha. “Mesmo que não ocorra outro dano causado por bactérias nos próximos dias, será muito difícil estimar danos somente por este patógeno, já que é difícil isolar o fator bactéria, considerando que as lavouras de trigo em que ser observou o problema da bacteriose também possam ter sofrido a ação de outras doenças, especialmente as de natureza fúngica como oídio, ferrugem e manchas”, conclui João Leodato Maciel.