Base aliada é maioria

Em 2011, a base aliada do governo Silval Barbosa (PMDB) representará 70,9% da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Serão 17 deputados de partidos coligados com a sigla do chefe do Executivo contra sete de legendas adversárias. Porém, a sustentabilidade pode ser considerada maior a contar com parlamentares reeleitos que mesmo de partidos adversários não fazem …

12/10/2010 12:07



Em 2011, a base aliada do governo Silval Barbosa (PMDB) representará 70,9% da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Serão 17 deputados de partidos coligados com a sigla do chefe do Executivo contra sete de legendas adversárias. Porém, a sustentabilidade pode ser considerada maior a contar com parlamentares reeleitos que mesmo de partidos adversários não fazem oposição ao governo.

O PR será o partido com o maior número de cadeiras, sendo seis, seguido do PMDB e PP, ambos com cinco parlamentares. O PT reduziu a bancada pela metade e terá apenas um representante.

Para a felicidade dos governistas, a oposição se mostra enfraquecida. O Democratas terá dois representantes, e PSDB, PPS, PSB, PDT e PTB terão apenas uma cadeira, cada. Encolhida, a oposição representa apenas 29,1% dos deputados. Isso sem contar que parte desse percentual não costuma exercer papel de oposição.

O cientista político João Edisom de Souza avalia como prejudicial à democracia a maioria absoluta de aliados do governo. “Os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – são independentes. Quando um governo possui o controle da Assembleia, acaba tirando a autonomia deste poder. Um dos piores resultados é a falta de fiscalização”, explica o estudioso.

Por outro lado, João Edisom explica que interesses pessoais podem motivar rusgas entre membros de um mesmo grupo. O problema pode acontecer agora na eleição para a mesa diretora da Casa, já que pelo menos três candidatos do mesmo grupo – Sérgio Ricardo, Mauro Savi e José Riva – demonstram interesse em disputar a vaga. A tendência é de que, como são maioria, eles vençam mesmo que haja um candidato do grupo adversário.

O PR lidera as bancadas com Sérgio Ricardo, Sebastião Rezende, Mauro Savi, Wagner Ramos, João Malheiros e Hermínio Barreto. O PP será representado por José Riva, Ezequiel Fonseca, Airton Português, Walter Rabello e Antônio Azambuja. A legenda peemedebista terá como representantes os deputados Romoaldo Júnior, Baiano Filho, Wallace Guimarães, Nilson Santos e Teté Bezerra. A bancada governista é fechada com o deputado Ademir Brunetto, único petista a ocupar uma cadeira na próxima legislatura.

O Democratas, que tinha três representantes, terá redução de uma cadeira, hoje ocupada por Chica Nunes, e contará com Zé Domingos e Dilmar Dal Bosco. Pertencente ao mesmo grupo político que sustentava a candidatura de Wilson Santos (PSDB) ao governo, também foram eleitos Guilherme Maluf (PSDB) e o ex-vereador Luiz Marinho (PTB). Nenhum deles costuma adotar postura oposicionista, levando em conta o histórico político de cada um.

A aliança que sustentou a candidatura para governador de Mauro Mendes (PSB) conseguiu eleger Percival Muniz (PPS), Zeca Viana (PDT) e Luciane Bezerra (PSB). Deles, o único que já declarou que fará oposição foi Percival.

O cientista político consultado pelo Diário avalia ainda que a oposição tem papel fundamental na aprovação das leis. “Quando um governo tem a maioria, os deputados costumam não contestar o teor das matérias. Esse acaba sendo o maior dever de quem não está na base”, analisa João Edisom.

Ele acredita que existe uma saída para que o parlamento passe a atuar de forma independente, sem vínculos com o Executivo. Mas admite que seria um alternativa “dolorosa”. “Precisamos acabar com a reeleição em todo o sistema. O deputado chega ao parlamento viciado, sabendo que estar ao lado do governo fortalece o mandato. Ajudando o governador, o parlamentar consegue emendas para sua base eleitoral e aumenta as chances de reeleição. É um círculo vicioso que precisa ser interrompido”, finalizou o cientista político.