No TRE, dono de editora nega crime eleitoral e inocenta Maggi e Silval

O jornalista e proprietário da editora Cururu, com sede em Cuiabá, João Pedro Marques, garantiu em depoimento nesta quarta (9) ao juiz auxiliar da propaganda eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Lídio Modesto Filho, que produziu por conta própria a revista “Documento especial 2003-2010”, alvo de acusações por parte da coligação “Mato Grosso Melhor Pra …

10/11/2010 17:54



O jornalista e proprietário da editora Cururu, com sede em Cuiabá, João Pedro Marques, garantiu em depoimento nesta quarta (9) ao juiz auxiliar da propaganda eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Lídio Modesto Filho, que produziu por conta própria a revista “Documento especial 2003-2010”, alvo de acusações por parte da coligação “Mato Grosso Melhor Pra Você”, que tinha como candidato ao Governo o empresário Mauro Mendes (PSB). Pedro, o secretário de comunicação Onofre Ribeiro e o adjunto Elpidio Spiezzi Júnior foram arrolados como testemunhas de defesa do ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR), do comandante do Paiaguás Silval Barbosa (PMDB) e de seu vice Chico Daltro (PP).  Todos foram acusados por Mendes de terem sido beneficiados pela publicação da revista, que supostamente foi subsidiada com recursos públicos.

   O jornalista nega. Segundo ele, a publicação foi feita como uma espécie de balanço da gestão Blairo Maggi e não houve nenhuma interferência ou financiamento do Governo. Ele argumenta que a sua empresa atua no Estado desde a década de 1970 e teria realizado o mesmo trabalho nas gestões de Carlos Bezerra (PMDB), Jaime Campos (DEM) e Dante de Oliveira (PSDB), falecido em 2006. “A Secom só foi citada na revista por causa dos direitos autorais. Algumas informações foram recolhidas de lá, por isso, colocamos o nome da Secom. Não houve crime. Se tem algum crime quem cometeu foi a gente e não eles”, reforçou o jornalista em entrevista ao RDNews.

   Conforme ele, a revista circulou em abril, período em que a publicidade institucional ainda era permitida por lei. Foram distribuídos 5 mil exemplares que custaram cerca de R$ 15 mil à editora. Além do jornalista, Onofre Ribeiro, que revisou o texto da revista, também prestou esclarecimentos. Segundo ele, em nenhum momento foi feita menção aos nomes de Maggi ou Silval, mas sim às ações que o governo havia efetuado durante a gestão. “Quando foi falado da ampla contrução das casas, por exemplo, não se falou o nome do gestor”, argumentou, frisando que foram tomadas todas as precauções neste sentido.

   Apesar de Maggi, Silval e Daltro também terem sido convocados para depor, eles utilizaram da prerrogativa de serem representados por seus advogados. Conforme o advogado de Maggi, Leandro Alves de Oliveira Júnior, a defesa está tranquila e acredita no arquivamento da denúncia tendo em vista que não há nenhuma irregularidade. Conforme ele, o balanço dos governos foi feito em abril, quando não há restrição. “Pela data não houve nenhum ato de improbidade e, além disso, foi o próprio jornalista quem decidiu fazer a revista”, pondera.

  O caso que é relatado pelo juiz-membro Lídio Modesto e está na fase de instrução. Na sequência virão as alegações e somente depois ele emitirá seu voto, que pode ou não ser acompanhado pelos demais membros do TRE. A tendência é que a denúncia seja arquivada tendo em vista que a revista circulou em abril e o próprio Ministério Público Eleitoral já adiantou que se tivesse sido distribuída antes de julho se posicionaria pelo indeferimento.