BC encontra indício de desvio em CDB no Panamericano, diz jornal

As investigações do Banco Central na operação do banco Panamericano apontam desvio de dinheiro da instituição, de acordo com reportagem da edição de domingo da “Folha de S. Paulo”. O primeiro indício foi encontrado em aplicações de Certificado de Depósito Bancário (CDB) de um cliente pessoa física, que pagava taxas 30% maiores do que a …

14/11/2010 11:03



As investigações do Banco Central na operação do banco Panamericano apontam desvio de dinheiro da instituição, de acordo com reportagem da edição de domingo da “Folha de S. Paulo”. O primeiro indício foi encontrado em aplicações de Certificado de Depósito Bancário (CDB) de um cliente pessoa física, que pagava taxas 30% maiores do que a média de mercado.

Apenas este cliente recebia R$ 120 milhões por ano como remuneração de um investimento de R$ 400 milhões em CDB. Segundo o jornal, o cliente é um empresário residente em Juiz de Fora (MG).

A rentabilidade das aplicações em CDB acompanha a evolução da taxa Selic, o juro básico da economia, que hoje está em 10,75% ao ano.

De acordo com o jornal, a suspeita do BC é que a taxa de juros das aplicações financeiras do banco Panamericano eram infladas artificialmente para justificar a saída de recursos da instituição.

Além dos ganhos acima da média, outro indício de irregularidade na aplicação financeira foi que o banco não comunicou ao Banco Central que uma pessoa física fez um investimento tão alto, procedimento obrigatório pela lei de lavagem de dinheiro.

Carteira de crédito inflada

Outra prática que o banco pode ter adotado para elevar seu resultado é o registro de uma carteira de crédito acima da realidade das contas dos bancos. A suspeita do BC é que o Panamericano vendeu ativos de sua carteira de crédito, mas continuou a contabilizá-los em seu balanço, inflando o valor de seu patrimônio.

Isso permitiria que o banco aumentasse ainda mais o seu volume de empréstimos – pelas normas do BC, as instituições financeiras têm limites para concessão de crédito atrelado aos seus ativos.

O Banco Central anunciou uma intervenção no banco na semana passada. O Panamericano recebeu R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo da instituição.