Galindo adota medidas austeras e espera obter popularidade depois

 O prefeito de Cuiabá Chico Galindo (PTB) adotou a estratégia de, pós-eleições, lançar todas as medidas impopulares, mesmo sabendo que enfrentará protestos para, numa segunda etapa, capitalizar positivamente sobre essas posições. Quer marcar sua gestão como alguém que teve a coragem de, por exemplo, atualizar o valor venal dos imóveis, o que resulta em impacto …

16/11/2010 10:49



 O prefeito de Cuiabá Chico Galindo (PTB) adotou a estratégia de, pós-eleições, lançar todas as medidas impopulares, mesmo sabendo que enfrentará protestos para, numa segunda etapa, capitalizar positivamente sobre essas posições. Quer marcar sua gestão como alguém que teve a coragem de, por exemplo, atualizar o valor venal dos imóveis, o que resulta em impacto elevado na alíquota de IPTU, superando em 300% dependendo do imóvel e da região. As mudanças surgem a partir de um estudo sobre a planta genérica.

   Seu antecessor Wilson Santos (PSDB), que renunciou ao mandato em março deste ano para concorrer, sem êxito, à cadeira de governador, tinha proposto aumento da alíquota do IPTU. O problema é que enfrentou a ira da população e oposição dura de alguns vereadores. Isso o levou a engavetar o projeto. Galindo argumenta que a medida agora é diferente. Não representa apenas a elevação do IPTU, mas sim atualização para o imóvel passar a valer mais. De todo modo, aumenta o IPTU, calculado com base no valor do imóvel. Alguns vereadores se manifestam contra e sugerem emendas para não permitir valores abusivos.

   O Palácio Alencastro promete fechar o cerco contra os inadimplentes. Galindo calcula que quase 80% dos donos de imóveis territoriais e 50% dos prediais não pagam o imposto. A partir de janeiro, o prefeito vai mandar negativar todos os nomes que entrarem para a inadimplência.

   Há outros “pepinos” para Galindo resolver. A precariedade na prestação de serviços de saneamento, por exemplo, prossegue há décadas. Falta água na maioria dos bairros. A rede de esgoto não cobre 30% dos bairros. O prefeito espera que, com a retomada das obras do PAC e mais investimentos com o PAC II, consiga equacionar ou ao menos amenizar esses problemas. Também tenta contornar crise em outros serviços básicos, como coleta de lixo, construção de novo aterro sanitário e dificuldade para atender a demanda na saúde pública. No caso do lixo, lançou nova licitação e pediu trégua à população para normalizar a coleta. Na saúde, busca “remédio” para amenizar a dor e revolta de quem procura as unidades de saúde e se depara com filas, falta de médicos e de medicamentos.

   Percebe-se que Chico Galindo, com perfil mais técnico, demonstra boas intenções. Mas só isso não basta. Precisa mostrar competência administrativa para, nos dois anos de mandato que lhe restam, vencer as barreiras, contornar conflitos internos e externos, inclusive junto ao secretariado, buscar mais recursos e resolver, na prática, os problemas administrativos. Se conseguir recuperar a popularidade, o prefeito pode até arriscar o projeto de reeleição. Caso contrário, fica de fora das eleições de 2012.