Parada Gay prega a paz e um Estado sem homofobia

Presidente da ONG Livremente e coordenador da 8ª Parada da Diversidade Sexual, que será realizada nesta sexta-feira (19), em Cuiabá, Clóvis Arantes chamou atenção, em entrevista coletiva, para o número de casos de homofobia em Mato Grosso, que já resultaram em 14 assassinatos, entre 2009 e 2010. Segundo ele, o índice é muito alto, se …

19/11/2010 12:14



Presidente da ONG Livremente e coordenador da 8ª Parada da Diversidade Sexual, que será realizada nesta sexta-feira (19), em Cuiabá, Clóvis Arantes chamou atenção, em entrevista coletiva, para o número de casos de homofobia em Mato Grosso, que já resultaram em 14 assassinatos, entre 2009 e 2010.

Segundo ele, o índice é muito alto, se comparado com os dados nacionais, que registrou 198 assassinatos no mesmo período. Diante dos dados alarmantes, o evento de hoje traz como tema “Paz, Justiça e Cidadania por um Mato Grosso sem Homofobia”.

“A violência contra homossexuais é uma barbárie. Hoje, somos vistos como pessoas que possuem menos direito e como de segunda categoria, mas muitos esquecem que somos cidadãos de direito como todos outros, que pagam impostos e que cumprem com suas obrigações perante a sociedade. Precisamos pôr fim à homofobia”, afirmou durante um café de manhã, de lançamento da 8ª Parada Gay, na quinta-feira (18).

A concentração do evento será às 13 horas, na Praça Ipiranga, no Centro da Capital. Um trio elétrico irá subir a Avenida Getúlio Vargas, indo até a Praça 8 de Abril, onde ocorrerá o encerramento do encontro.

Neste ano, as atrações serão shows de drags-queens e da cantora nacional Joe Welch – esta última era da banda do Programa do Faustão e estourou nas pistas da house music.

Políticas públicas

Clóvis Arantes afirmou, ainda, que faltam políticas públicas de segurança voltadas para o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Ele destacou que é preciso conscientização da sociedade para aceitar as diferenças, observando que o movimento quer apenas os direitos previstos na Constituição Federal.

“É preciso um entendimento de que o homossexual, a lésbica ou o travesti são cidadãos, pessoas que têm direitos como qualquer outras. Dessa forma, é preciso que haja respeito, uma maior aceitação das diferenças. Na parada, comemoramos as nossas conquistas e trabalhamos por mais igualdade”, disse.

Avanços

O presidente da ONG destacou, ainda, os avanços no movimento no Estado, citando a criação do Centro de Referência em Direitos Humanos de Combate à Homofobia (CRDHEH), que dispõe de advogado, psicólogos e assistente social para prestar atendimento às vítimas de discriminação e preconceito, em função da orientação sexual.

Arantes citou ainda uma portaria baixada pelo Conselho Estadual de Educação, obrigando as escolas a incluírem, no diário de classe, o nome social de travesti, homossexuais e outros, evitando que seja alvo de discriminação e chacota na unidade escolar.

Além disso, um trabalho de capacitação de professores da rede pública vem sendo realizado; dentre as aulas ministradas, estão Direito Humanos e Homossexualidade.

Madrinha da festa

A defensora pública do Estado, Danielle Villas Boas Biancardini, foi escolhida este ano para ser a madrinha da festa. Há seis anos, ela atua em defesa do movimento LGBT.

A defensora trabalha orientando os direitos nas relações afetivas entre pessoas do mesmo sexo, cobrando celeridade do Poder Judiciário nas ações que envolvem violência contra homossexuais, dando orientações jurídicas para vítimas de violência, entre outras.

“Sempre digo que Direito não tem sexo, vivemos em um Estado democrático, onde são inaceitáveis o preconceito e a discriminação em razão da orientação sexual. Sinto-me muito feliz e orgulhosa de ter sido convidada para ser madrinha da festa”, afirmou a defensora.

O padrinho do evento é o proprietário da boate Zum-Zum, aberta ao Movimento GLBT, Menotti Griggi.

Pesquisa

O Centro de Referência em Direitos Humanos de Combate à Homofobia (CRDHEH), vinculado à Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sejusp), irá realizar uma pesquisa de campo na Parada Gay, visando a saber de que forma a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) de Cuiabá tem acesso aos serviços públicos e como é tratada pelos órgãos e instituições.

As pessoas que responderem a pesquisa receberão um kit com uma camiseta e material informativo a respeito de direitos humanos LGBT e sexualidade.