Câncer em criança é tratado tardiamente

O dado é preocupante. Cerca de 90% das crianças mato-grossenses com diagnóstico de câncer procuram atendimento com a doença já em estágio avançado, conforme a Associação dos Amigos da Criança com Câncer (AACC). Nesses casos, as chances de cura são mínimas. Para reverter quadros como esse, realizou-se ontem o Dia Nacional de Combate ao Câncer …

24/11/2010 08:26



O dado é preocupante. Cerca de 90% das crianças mato-grossenses com diagnóstico de câncer procuram atendimento com a doença já em estágio avançado, conforme a Associação dos Amigos da Criança com Câncer (AACC). Nesses casos, as chances de cura são mínimas. Para reverter quadros como esse, realizou-se ontem o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infanto-juvenil, com programação estendida por toda a semana.

Em Mato Grosso, a entidade mantém há 11 anos as portas abertas para receber crianças que precisam se submeter ao tratamento contra o câncer. A AACC atende no momento cerca de 240 crianças e adolescentes. A maior parte deles, oriunda do interior do Estado.

Gabrieli Pagno com apenas 6 anos faz parte da estatística. Pequena, mas já enfrentando problemas de gente grande, a menina mora com os pais e mais duas irmãs na zona rural de Aripuanã, cidade a 1.002 quilômetros de Cuiabá. Há sete meses, a menina deixou sua família às pressas para passar por tratamento contra leucemia em Cuiabá.

A mãe, Luciane Fichlickmann, recorda-se que a filha sempre reclamava de dores nas pernas. “As dores eram fora do comum. Nessa época, ela arrancou dois dentes e passou a ter febres constantes. Três hemogramas deram a pista que minha filha tinha leucemia”, revela. A suspeita só iria se confirmar em um exame realizado em Sinop.

A criança com diagnóstico de câncer passa a integrar um cadastro na Central de Regulação do Estado. O órgão, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES), encaminha a criança para a Santa Casa de Misericórdia da Capital ou para o Hospital de Câncer, as duas únicas unidades credenciadas para atendimento via SUS.

No Hospital de Câncer, Gabrieli recebe doses de quimioterapia e poderá receber alta definitiva em março do próximo ano, já que o caso dela não depende de transplante de medula.

De acordo com a presidente da AACC, Tellen Costa, um dos propósitos da instituição é, no próximo ano, iniciar um projeto de diagnóstico precoce nas unidades de saúde do interior. “O foco se concentra nos profissionais que atendem no Programa de Saúde da Família (PSF) dos municípios para reduzirmos os casos de morte”, revela. A meta é iniciar o projeto nas cidades de Várzea Grande, Cuiabá, Rondonópolis e Cáceres.

PROGRAMAÇÃO – Uma série de palestras com profissionais especializados no diagnóstico do câncer infantil será realizada ao longo desta sexta-feira, no auditório da Unimed, em Cuiabá. As inscrições são gratuitas e limitadas. No sábado, as crianças da AACC estarão juntas em uma caminhada a partir das 7h no Parque Mãe Bonifácia, também na Capital.