Palocci é convidado e deve ir para a Secretaria Geral

 O deputado Antonio Palocci (PT-SP) está confirmado no primeiro escalão do governo da presidenta eleita Dilma Rousseff e deve ser alocado na Secretaria Geral da Presidência. O destino do ex-ministro da Fazenda foi discutido em um encontro com Dilma na semana passada, mas a orientação repassada pela presidenta eleita foi a de dar prioridade à …

24/11/2010 19:12



 O deputado Antonio Palocci (PT-SP) está confirmado no primeiro escalão do governo da presidenta eleita Dilma Rousseff e deve ser alocado na Secretaria Geral da Presidência.

O destino do ex-ministro da Fazenda foi discutido em um encontro com Dilma na semana passada, mas a orientação repassada pela presidenta eleita foi a de dar prioridade à montagem final da equipe econômica, anunciada nesta quarta-feira(24-11). Se confirmada, a escolha vai adicionar novos poderes à Secretaria Geral, que teve um papel prioritariamente institucional sob o comando do atual ministro Luiz Dulci.

Diante das informações que circulam sobre o destino do ex-ministro, aliados de Palocci passaram a investir internamente na versão de que ele próprio optou pela secretaria, por não querer ficar exposto demais na Casa Civil. Em outras alas do PT,  predomina a tese de que Dilma teria atendido à demanda de aliados para manter sob controle o poder dado ao ex-ministro.

Dilma, entretanto, teria insistido em manter Palocci em um posto de articulação política. Ainda assim, a presidenta eleita teria manifestado a alguns aliados que gostaria de ver o atual ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em uma função que lhe permita auxiliar o trabalho de Palocci. Ligado ao PT paulista, Padilha ganhou a confiança da presidenta eleita durante a campanha. Médico, ele tem sido cotado também para ocupar o Ministério da Saúde no lugar de José Gomes Temporão.

A montagem de uma dupla de articulação composta por Padilha e Palocci seria uma forma de responder aos setores da coalizão que se queixam do poder conquistado pelo ex-ministro da Fazenda durante a campanha. Embora tenha lido levado pelos braços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a coordenação da campanha presidencial petista, Palocci transformou-se em um dos principais pilares da ação de Dilma durante a corrida presidencial. Ao fim da campanha, o deputado era tido dado como praticamente certo na Casa Civil. Desde então, seu nome apareceu em especulações para várias posições. Ele foi mencionado como possível ocupante do Ministério da Saúde, da presidência Petrobrás e da diretoria da Vale do Rio Doce.

Assim, ganhou força então a versão de que o mais provável ocupante da Casa Civil seria o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A tese foi reforçada na manhã de hoje, quando Bernardo confirmou ter sido convidado a ficar no governo. Embora não tenha endossado a afirmação de que seu nome está garantido na Casa Civil, as expectativas aumentaram com a indicação da coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, para o Planejamento.

 Palocci tem a seu favor o fato de ter construído um bom relacionamento com o empresariado. Ainda durante a campanha de 2002, quando era coordenador do programa de governo do então candidato Lula, ele foi o autor da Carta ao Povo Brasileiro, documento em que o hoje presidente firmou compromisso de manter as bases da política econômica de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Nas últimas semanas, petistas chegaram a atribuir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu uma operação para enfraquecer Palocci nas negociações para a montagem do ministério. Dirceu, no entanto, negou que o ex-colega faria sombra a Dilma, elogiou Palocci, mas disse que só a presidenta definiria o cargo do coordenador da transição.

Se Dilma bater o martelo na escolha de Palocci na Secretaria Geral e de Bernardo na Casa Civil, o ex-ministro da Fazenda seria encarregado da interlocução do governo com partidos e com o Congresso, enquanto o atual titular do Planejamento seria encarregado de chefiar os demais ministros, assim como fez Dilma de 2005 até março último. “Palocci seria, assim, o ministro dos partidos e Paulo Bernardo, o ministro dos ministros”, disse um interlocutor de Dilma.