Gabarito custava até R$ 20 mil; sete estão presos

A delegada Ana Cristina Feldner, da Polícia Civil, apresentou, na manhã de hoje (29), detalhes da fraude no vestibular de Medicina da Universidade de Cuiabá (Unic). No total, 22 estudantes compraram o gabarito da prova, que custava entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Segundo a delegada, alguns pais chegaram a pagar em até …

29/11/2010 14:37



A delegada Ana Cristina Feldner, da Polícia Civil, apresentou, na manhã de hoje (29), detalhes da fraude no vestibular de Medicina da Universidade de Cuiabá (Unic). No total, 22 estudantes compraram o gabarito da prova, que custava entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Segundo a delegada, alguns pais chegaram a pagar em até dez vezes.

Os sete homens responsáveis pelo esquema, presos a partir de denúncias ainda no sábado (27), dia da primeira fase do vestibular, continuam presos e responderão pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha.

No total, a Polícia Civil apreendeu R$ 52 mil, divididos em um cheque de R$ 7,5 mil, dois cheques de R$ 15 mil, R$ 5 mil, escondidos na cueca de um dos sete envolvidos, e ainda R$ 25,5 mil em dinheiro, que estava na casa de uma das namoradas dos envolvidos.

Segundo a delegada Ana Feldner, o esquema funcionava da seguinte maneira: Fortunato Simões Franco, 19, um dos sete envolvidos, chamado de “piloto”, fazia a prova em duas horas, anotava o gabarito e, depois, os outros passavam para os celulares dos vestibulandos.

Os aparelhos ficavam nas palmilhas dos tênis e também no salto de algumas sandálias femininas.

Apesar de envolvidos na fraude, por falta de legislação específica, os 22 estudantes não serão criminalmente punidos, apenas administrativamente pela Unic, que os baniu de fazer o exame.

Para a delegada, é lamentável que os pais tenham sido coniventes com a fraude, já que os cheques foram assinados por alguns responsáveis, e que não haja punição legal para os adolescentes.

“É imoral, antiético, mas infelizmente não é ilegal. O mais triste é ver a conivência desses pais. Além disso, ao invés dos filhos estudarem para passar na prova, eles estudavam como funcionava o sistema de transferência de respostas”, afirmou.

Os 22 estudantes foram punidos pela Unic apenas administrativamente, sendo banidos de fazer o exame.

De acordo com Ana Feldner, a instituição de ensino contribui o tempo inteiro com as investigações. Os sete homens estão presos na Polinter e serão julgados pelos crimes.

Confira a relação dos sete envolvidos no esquema:

1- Agripos Lucas Matheus dos Santos, 20 anos
2- Fortunato Simões Franco, 19 anos
3- Hélcules Cleiton, 18 anos
4- Juan Tiago Pagnassant, 21 anos
5- Pedro Simões Franco, 21 anos
6- Paulo Cezari Frizanco, 20 anos
7- Nathan Lúcio Moreira, 20 anos