Sérgio Ricardo quer nova política para saúde mental

“Não podemos permitir que dependentes químicos convivam com pessoas com distúrbios mentais”. A afirmação é do presidente da CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Sérgio Ricardo (PR), durante visita técnica realizada no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho. O objetivo foi inspecionar as condições estruturais, administrativas e humanas da unidade hospitalar. O secretário de Estado de …

03/12/2010 21:20



“Não podemos permitir que dependentes químicos convivam com pessoas com distúrbios mentais”. A afirmação é do presidente da CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Sérgio Ricardo (PR), durante visita técnica realizada no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho. O objetivo foi inspecionar as condições estruturais, administrativas e humanas da unidade hospitalar. O secretário de Estado de Saúde, Augusto Amaral, a diretora do hospital Janes Pimenta, e a Coordenadora de Políticas de Saúde Mental da SES, Áurea Assis, também participaram da vistoria.
O hospital, que é mantido com recursos do Governo do Estado, sob a direção da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é referência no atendimento de pacientes com distúrbios mentais e dependentes químicos (álcool e drogas). Durante a visita foram constatados vários fatores que impedem o bom funcionamento da unidade de saúde, como por exemplo, o acúmulo de função para o hospital que deveria atender somente pacientes com distúrbio mental, mas que acaba tendo que cuidar de dependentes químicos.

Segundo o presidente da CPI, o quadro é preocupante e precisa de ações urgentes. “Uma das soluções será separar o atendimento dos dependentes químicos removendo-os para outros hospitais. Dessa forma teremos mais leitos à disposição desses pacientes bem como um melhor atendimento”, destacou o deputado.

Sérgio Ricardo afirmou ainda, que o Estado não tem políticas públicas para dependentes químicos e nem para doentes mentais. Segundo o deputado, a saída é a implementação urgente da Política de Saúde Mental, cuja sugestão, consta entre as 19 recomendações do relatório da CPI da Saúde, que foi entregue ao governador Silval Barbosa, recentemente.

O deputado defendeu também a criação de uma outra unidade especializado no tratamento de dependentes químicos e que os Consórcios de Intermunicipais de Saúde realizem o atendimento básico no interior para que não haja a superlotação no Adauto Botelho. Em todo o estado existem 36 CAP´s.

Estrutura- Atualmente, o Adauto Botelho possui 120 leitos e parte da estrutura do prédio necessita de uma reforma urgente como, por exemplo, na área de lazer, nos leitos de internação e também na área administrativa, pois nestes locais rachaduras e vazamentos são visíveis.

A unidade III Adauto Botelho está com seus leitos para internação de dependentes químicos lotados e praticamente 100% deles respondem a processos judiciais. A maioria dos leitos está ocupada por ordem judicial, o que acaba ocupando os leitos destinados a pacientes com transtorno mental. Na unidade III, a capacidade é de 50 internos e no momento, possui 44 internos sendo que desse total, 41 por ordem judicial.

Moradores
Outra situação são os pacientes egressos do antigo hospital Neuropsiquiátrico, que perderam vinculo familiar e tornaram-se residentes do Adauto Botelho. Em relação a essa situação, a diretora Janes Pimenta informou que já foi encaminhado a Prefeitura Municipal de Cuiabá, um documento para que sejam criadas residências terapêuticas com cuidados de enfermagens para o tratamento desses pacientes.

Atualmente, o Ciaps Adauto Botelho possui cerca de 400 servidores e é formado pelo Hospital Dia, Centro de Apoio Psicossocial para Dependentes Químicos (CapsAD), Centro de Apoio Psicossocial Infantil (Capsi), unidade II Pascoal Ramos, Internação feminina e masculina, Pronto Atendimento, unidade de tratamento a portadores de deficiência físico-mental Lar Doce Lar, unidade III José Eduardo Vaz Curvo e o Ambulatório.