Daltinho cobra cargo no governo Silval e ganha bronca de Bezerra

O deputado estadual Adalto de Freitas (PMDB), o Daltinho, cuja base é em Barra do Garças e não conseguiu se reeleger, quer de todas as formas um cargo público. E atira para todos os lados.   Depois de manobrar para assumir alguma colocação na Assembleia a partir de 1º de fevereiro, quando não será mais …

05/12/2010 09:36



O deputado estadual Adalto de Freitas (PMDB), o Daltinho, cuja base é em Barra do Garças e não conseguiu se reeleger, quer de todas as formas um cargo público. E atira para todos os lados.

  Depois de manobrar para assumir alguma colocação na Assembleia a partir de 1º de fevereiro, quando não será mais parlamentar. Daltinho agora tem como alvo o governo estadual. Pressiona o presidente regional do PMDB, deputado federal reeleito Carlos Bezerra, a cobrar do governador Silval Barbosa a definição dos cargos aos quais, em tese, o partido teria direito.

   A legenda peemedebista fez aliança com PR, PP, PT e PC do B e mais seis outras menores para as eleições de 3 de outubro. PR, PP e PT são os únicos que ocupam cargos no primeiro escalão da administração Silval, herança deixada pelo antecessor Blairo Maggi (PR). Como o PMDB é o partido do governador e a maior legenda do Estado, alguns peemedebistas, entre eles Daltinho, entendem que devem ter um espaço privilegiado no governo.

   Mas, como diria Garrincha, faltou combinar com os russos. Ninguém sabe ao certo os termos da aliança peemedebista com o PR, partido que de fato deu sustentação política à candidatura Silval e que garantiu a maior bancada na Assembleia, com 6 cadeiras. O PMDB terá espaço garantido no futuro governo, mas privilégio é coisa que só passa pela cabeça de alguns. Silval já sinalizou que não vai ceder aos caprichos de alguns colegas de sigla, entre ele o próprio presidente regional. Talvez por isso Bezerra aponta seguir pela mesma linha. Na última quarta-feira, enquanto aguardava para ser atendido pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, junto com Silval e outros colegas de bancada, Carlos Bezerra deu uma bronca em Daltinho publicamente, por telefone.

   Pela ligação telefônica entre ambos foi possível perceber que Daltinho cobrava de Bezerra para que este colocasse Silval contra a parede. “Não posso cobrar do governador que dê cargos ao PMDB, Daltinho!”, exclamou o deputado. “No momento certo ele vai chamar o partido para conversar. Temos que respeitar essa prerrogativa do Silval”, complementou Bezerra, perante todos na sala de espera do Ministério.

   A postura de Bezerra ao telefone com Daltinho pode ter sido uma forma de demonstrar ao próprio governador que ele respeita sua posição, embora Silval tem sinalizado que não está levando muito em consideração a sua opinião. Mas há outros indícios que demonstram que Bezerra não estava apenas fazendo média, ou “jogando para a galera”. De fato, o presidente peemedebista não demonstra muito interesse por cargos no governo estadual. Afinal, ele foi reeleito, garantiu a eleição de sua esposa Teté Bezerra para AL e está de fato próximo do governador e dita as regras no partido.

   “Isso não significa que ele (Bezerra) não vá brigar por cargos para o partido, mas não quer forçar a barra perante o governador”, disse  um assessor do Senado que é muito próximo ao deputado federal. “O Bezerra parece um pouco cansado. Ele não tem demonstrado muito interesse por algumas coisas da política”, acrescentou um de seus colegas que acompanhavam o governador.

     De todo modo e em que pese a afoiteza de Daltinho, peemedebistas não vão engolir com facilidade esse “banho-maria”. Nos bastidores, a mobilização é intensa e, além de disputarem secretarias estratégicas (todas já nas mãos do PR, PP e PT), eles vão querer pegar pastas atualmente ocupadas por técnicos. Indagado qual seria a participação do PMDB em seu futuro governo, Silval respondeu enigmático e levemente irônico: “Eu, governador; a dona Roseli na secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social; e o Osmar, na Secom, que reassumiu oa pasta no último dia 30. Não tá bom?” E não quis mais falar sobre o assunto.

   Osmar a quem ele se refere é o jornalista Osmar Carvalho, que reassumiu suas funções na secretaria de Estado de Comunicação Social, depois de um descanso ao terminar sua participação na equipe de campanha de Silval. Ele tem uma ligação histórica com o PMDB, tendo sido assessor de Bezerra durante muitos anos e homem de sua estrita confiança. Osmar passou a ser assessor de Silval desde quando este se elegeu deputado estadual, em 2003. Osmar foi escolhido secretário de Comunicação da AL quando o hoje governador chegou a presidência do Legislativo. Há quem considere o jornalista da cota peemedebista, mas para outros ele seria escolha pessoal de Silval.

   Hoje os 24 secretários são divididos entre aqueles que foram escolhidos por critérios técnicos e outros sob indicação política. A incógnita é se o governador vai manter essa composição ou cederá as exigências do PMDB e demais partidos da base aliada.

Secretariado hoje do governo Silval e os rateios políticos e técnicos

Cotas do PR
Casa Civil – Eder de Moraes
Infraestrutura – Arnaldo Alves
Cultura – Oscemário Daltro
Meio Ambiente – Alexander Maia
Indústria, Comércio, Minas e Energia – Pedro Nadaf
Detran (tem status de 1º escalão) – Teodoro Lopes
PP
Ciência e Tecnologia – Ilma Grisoste Barbosa
Desenvolvimento do Turismo – Vanice Marques
PT
Educação – Rosa Neide Sandes de Almeida
Cota pessoal do governador
Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social – Roseli Barbosa
Comunicação Social – Osmar Carvalho
Técnicos
Justiça e Segurança Pública – Diógenes Curado
Casa Militar – Coronel Antonio Moraes
Auditoria Geral – José Alves
Planejamento e Gestão – José Botelho
Desenvolvimento Rural – Jilson Francisco
Administração – Bruno Sá
Saúde – Augustinho do Amaral
Esportes e Lazer – Laércio de Arruda
Projetos Estratégicos – Reinaldo Loffi
Apoio às Políticas Educacional – Flávia Nogueira
Políticas Ambientais e Fundiárias – Vicente Falcão
Fazenda – Edmilson dos Santos
Procuradoria Geral – Dorgival Veras