EUA, China e UE dizem apoiar texto da COP-16 para reduzir emissões

A China se mostrou “satisfeita” nesta sexta-feira com o texto do México, país que preside a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16), e considerou que reflete as visões das distintas partes sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases poluentes. O chefe da delegação chinesa, Xie Zhenhua, afirmou que, embora “haja pontos …

11/12/2010 08:31



A China se mostrou “satisfeita” nesta sexta-feira com o texto do México, país que preside a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16), e considerou que reflete as visões das distintas partes sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases poluentes. O chefe da delegação chinesa, Xie Zhenhua, afirmou que, embora “haja pontos deficientes, estamos satisfeitos” com o texto apresentado.

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos também expressaram apoio ao texto final de compromisso no qual se trabalha em Cancún. “Não é perfeito, mas é uma boa base para avançar”, disse Todd Stern, enviado especial para Mudança Climática do presidente Barack Obama.

A comissária europeia de Ação pelo Clima, a dinamarquesa Connie Hedegaard, sustentou que os 27 países que integram a UE chegaram à conferência na busca por um “pacote equilibrado” de decisões, algo que teria sido alcançado em Cancún. “O multilateralismo deu resultado”, disse Hedegaard, assinalando que no acordo de Copenhague (2009) ficaram marcados os primeiros passos, complementados agora com “medidas substanciais”.

A ministra de Relações Exteriores mexicana, Patricia Espinosa, apresentou nesta sexta-feira, após longas e intensas horas de negociações, dois textos de compromissos, um baseado na continuação do Protocolo de Kioto (1997) e outro sobre cooperação a longo prazo (LCA, por sua sigla em inglês).

O acordo assinado na cidade japonesa de Kioto estabelece objetivos obrigatórios de redução de emissões a 37 países industrializados, entre eles Japão, União Europeia (UE), Austrália, Canadá e Rússia, mas não aos Estados Unidos, que nunca ratificaram o documento, nem a China, por ser uma economia emergente.

Os textos, que de maneira geral receberam respaldo das delegações, à exceção da Bolívia, ainda podem ser modificados ou rejeitados pelas delegações.

Entre os prováveis acordos dos textos apresentados por Espinosa está o de criar um Fundo Verde Climático (GCF) dentro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que contaria com um conselho com 24 países-membros. O documento também reconhece a necessidade de “mobilizar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para atender às necessidades dos países em desenvolvimento”.

Em relação à transparência, assunto que interessava particularmente aos Estados Unidos, o texto de compromisso prevê que as ações de mitigação sejam submetidas a medição, reporte e verificação de acordo com pautas estabelecidas pela Convenção.

Também pode ser aprovado um acordo que adia a um momento futuro a decisão sobre se haverá ou não uma segunda fase do Protocolo de Kioto, mas que pede que os países elevem seu “nível de ambição” para cortes. Os compromissos da primeira fase do protocolo previam a redução entre 11% e 16% com relação aos níveis de 1990 para o período 2008-2012, enquanto agora se propõe índices de cortes entre 25% e 40% a partir de 2020.