Médicos alemães declaram “cura” em paciente com HIV

Pesquisadores alemães que usaram um transplante de medula óssea para tratar um câncer em um paciente com o vírus da Aids declararam-no curado da infecção pelo vírus HIV – uma afirmação notável num campo em que a palavra “cura” é praticamente um tabu. O homem, que sofria de leucemia e era portador do vírus da …

16/12/2010 09:53



Pesquisadores alemães que usaram um transplante de medula óssea para tratar um câncer em um paciente com o vírus da Aids declararam-no curado da infecção pelo vírus HIV – uma afirmação notável num campo em que a palavra “cura” é praticamente um tabu.
O homem, que sofria de leucemia e era portador do vírus da Aids, recebeu o transplante em 2007, de um doador que tinha uma mutação genética que sabidamente confere imunidade natural contra o vírus.
Quase quatro anos após o transplante, o paciente não tem mais o vírus, o qual não parece estar escondido em parte alguma do seu corpo, segundo Thomas Schneider, do hospital Charité, de Berlim, e seus colegas.
“Nossos resultados sugerem fortemente que a cura do HIV foi obtida nesse paciente”, escreveram eles em artigo na revista Blood. Mas pesquisadores da Aids rejeitam essa abordagem em qualquer escala para pacientes com HIV. O transplante de medula óssea costuma ser o último recurso no tratamento de cânceres como a leucemia.
Esse transplante exige a destruição da medula óssea do próprio paciente – o que é em si um processo desgastante -, e o doador precisa ter tipo sanguíneo e sistema imunológico quase idênticos ao do receptor.
“Isso não é prático e pode matar as pessoas”, disse Robert Gallo, da Universidade de Maryland, um dos descobridores do vírus HIV, que causa a Aids.
“É possivelmente uma cura, com certeza, (mas) não haverá certeza absoluta até que a pessoa morra e passe por uma análise extrema de PCR (análise genética) do tecido post-mortem”, acrescentou Gallo.
A mutação do doador afeta um receptor (“portão celular”) chamado CCR5, que o vírus HIV usa para entrar nas células a serem infectadas. Desde a década de 1990 os cientistas sabem que algumas pessoas, principalmente com origem familiar no norte da Europa, têm essa mutação e raramente são contaminadas pelo HIV.
Alguns pesquisadores trabalham com a ideia de uma terapia genética que possa tratar e talvez curar o HIV, mas a tecnologia ainda está em estágios experimentais.
“Não quero jogar água fria em uma coisa interessante, mas é isso que ela é – uma coisa interessante”, disse Gallo. A equipe de Schneider tem realizado exames com amostras retiradas do intestino, fígado, fluido vertebral e cérebro, locais onde o vírus pode passar anos “escondido” até infectar as células. Não foram encontrados sinais do vírus.
Esse paciente parece ter um sistema imunológico em perfeito funcionamento, e geneticamente idêntico às células do doador – e não às células imunológicas do próprio paciente.
“Com esses resultados, é razoável concluir que a cura da infecção pelo HIV foi obtida nesse paciente”, escreveu a equipe.
O vírus da Aids afeta atualmente 33 milhões de pessoas no mundo, principalmente na África, e já matou 25 milhões nos últimos 30 anos. Coquetéis de medicamentos podem controlar a infecção, reduzindo a chance de contágio para outras pessoas, mas não existe uma vacina.

Pesquisadores alemães que usaram um transplante de medula óssea para tratar um câncer em um paciente com o vírus da Aids declararam-no curado da infecção pelo vírus HIV – uma afirmação notável num campo em que a palavra “cura” é praticamente um tabu.O homem, que sofria de leucemia e era portador do vírus da Aids, recebeu o transplante em 2007, de um doador que tinha uma mutação genética que sabidamente confere imunidade natural contra o vírus.Quase quatro anos após o transplante, o paciente não tem mais o vírus, o qual não parece estar escondido em parte alguma do seu corpo, segundo Thomas Schneider, do hospital Charité, de Berlim, e seus colegas.”Nossos resultados sugerem fortemente que a cura do HIV foi obtida nesse paciente”, escreveram eles em artigo na revista Blood. Mas pesquisadores da Aids rejeitam essa abordagem em qualquer escala para pacientes com HIV. O transplante de medula óssea costuma ser o último recurso no tratamento de cânceres como a leucemia.Esse transplante exige a destruição da medula óssea do próprio paciente – o que é em si um processo desgastante -, e o doador precisa ter tipo sanguíneo e sistema imunológico quase idênticos ao do receptor.”Isso não é prático e pode matar as pessoas”, disse Robert Gallo, da Universidade de Maryland, um dos descobridores do vírus HIV, que causa a Aids.”É possivelmente uma cura, com certeza, (mas) não haverá certeza absoluta até que a pessoa morra e passe por uma análise extrema de PCR (análise genética) do tecido post-mortem”, acrescentou Gallo.A mutação do doador afeta um receptor (“portão celular”) chamado CCR5, que o vírus HIV usa para entrar nas células a serem infectadas. Desde a década de 1990 os cientistas sabem que algumas pessoas, principalmente com origem familiar no norte da Europa, têm essa mutação e raramente são contaminadas pelo HIV.Alguns pesquisadores trabalham com a ideia de uma terapia genética que possa tratar e talvez curar o HIV, mas a tecnologia ainda está em estágios experimentais.”Não quero jogar água fria em uma coisa interessante, mas é isso que ela é – uma coisa interessante”, disse Gallo. A equipe de Schneider tem realizado exames com amostras retiradas do intestino, fígado, fluido vertebral e cérebro, locais onde o vírus pode passar anos “escondido” até infectar as células. Não foram encontrados sinais do vírus.Esse paciente parece ter um sistema imunológico em perfeito funcionamento, e geneticamente idêntico às células do doador – e não às células imunológicas do próprio paciente.”Com esses resultados, é razoável concluir que a cura da infecção pelo HIV foi obtida nesse paciente”, escreveu a equipe.O vírus da Aids afeta atualmente 33 milhões de pessoas no mundo, principalmente na África, e já matou 25 milhões nos últimos 30 anos. Coquetéis de medicamentos podem controlar a infecção, reduzindo a chance de contágio para outras pessoas, mas não existe uma vacina.