Medicina: usos das células-tronco vão da aids à dor de dente

Em 2011, a USP pretende inaugurar o laboratório para obtenção de células-tronco a partir de dentes de leite. Entre os objetivos da pesquisa está o uso de células dentais para regenerar tecidos não dentais. “Poderíamos usar células-tronco dentais para reparar lesões cardíacas ou oculares”, diz Andrea Mantesso, coordenadora do projeto. Os pesquisadores também buscam a …

24/12/2010 09:14



Em 2011, a USP pretende inaugurar o laboratório para obtenção de células-tronco a partir de dentes de leite. Entre os objetivos da pesquisa está o uso de células dentais para regenerar tecidos não dentais. “Poderíamos usar células-tronco dentais para reparar lesões cardíacas ou oculares”, diz Andrea Mantesso, coordenadora do projeto. Os pesquisadores também buscam a formação de um dente inteiro no laboratório e a engenharia tecidual de partes especificas, onde seria possível reparar a gengiva perdida após uma doença periodontal.

Muito versáteis, as células-tronco seriam opção para o tratamento de vários problemas no futuro, com usos que vão da aids à dor de dente. “Falando de forma bem abrangente, elas poderão ser usadas para tratamento de lesões degenerativas em diferentes tecidos do corpo humano, sequelas de acidentes, alguns tipos de câncer, lesões ulcerativas em pele e outros órgãos e para produção de células especializadas”, explica Mantesso.

Células embrionárias x Células adultas
Recentemente, o assunto voltou à imprensa por ocasião do nascimento do filho da atriz Juliana Paes, que optou por armazenar células-tronco do cordão umbilical do seu bebê. E enquanto células-tronco adultas já são amplamente usadas para tratamento de doenças hematopoiéticas, como leucemias, a pesquisadora não acredita que um dia não precisaremos mais das células embrionárias, por elas serem mais potentes que as células adultas. “Isso significa que elas podem formar mais tecidos e com melhor produtividade. Mesmo quando reprogramamos as células adultas para que elas se comportem como células embrionárias, a taxa de sucesso desses experimentos ainda é baixa e eles são bem complexos de serem realizados”, diz.

Ainda assim, um estudo feito por médicos alemães mostra que um transplante de células-tronco teria curado um portador do virus HIV, três anos depois de realizado o procedimento, em 2006. O paciente, um homem americano na casa dos 40 anos, soropositivo há mais de dez, procurou tratamento para leucemia mielóide aguda, uma forma letal de câncer no sangue.

A idéia veio quando o médico do paciente, Gero Hutter, pensou na possibilidade de realizar um transplante de medula utilizando como doador o portador de uma rara mutação genética que o torna naturalmente resistente ao HIV. O suposto sucesso do transplante ainda é questionado por grande parte da comunidade médica, que espera confirmar os resultados dentro de dez anos.

Os resultados positivos do uso de células tronco adultas não desencoraja a pesquisa com o material embrionário. Para Andrea Mantesso, “os cientistas insistem nas células embrionárias porque elas têm um potencial imenso e ainda nem sabemos tudo que essas células podem nos proporcionar, mas já sabemos que elas são muito versáteis. Então, precisamos estudá-las em profundidade para poder não só entender seu verdadeiro potencial, mas também para entender sua natureza e comportamento. Essas respostas serão importantes tanto na área de células tronco, como também para melhor esclarecimento sobre o desenvolvimento humano, envelhecimento e várias doenças”, conclui.