Pantanal: mapeamento e monitoramento de ninhais

A Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros, vinculada a Superintendência de Biodiversidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) realiza desde 2006 o Mapeamento e Monitoramento de Ninhais na região do Pantanal Mato-grossense. Além de conhecer a distribuição dos ninhais na região que compreende os municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Cáceres, Nossa Senhora …

27/12/2010 15:18



A Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros, vinculada a Superintendência de Biodiversidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) realiza desde 2006 o Mapeamento e Monitoramento de Ninhais na região do Pantanal Mato-grossense. Além de conhecer a distribuição dos ninhais na região que compreende os municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Cáceres, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio do Leverger, esse trabalho tem como objetivo a identificação das atividades que possam comprometer a reprodução das aves, a fim de que possam ser adotadas medidas de proteção e conservação dessas áreas.

“Também está entre os nossos objetivos a produção de material científico, informativo e educativo sobre o tema e, auxiliar na orientação e ordenamento da atividade turística na região”, explicou o analista de Meio Ambiente, Marcos Roberto Ferramosca Cardoso.

Nesse trabalho também estão envolvidas as Coordenadorias de Fiscalização de Pesca, de Unidades de Conservação e a diretoria da Unidade Desconcentrada da Sema de Cáceres.

Na região do Pantanal Mato-grossense, as colônias de nidificação das aves aquáticas localizadas nas árvores são conhecidas como viveiros ou ninhais. Marcos Roberto explica que os viveiros podem ser formados por biguás, biguatingas e baguaris (que dão origem aos ninhais pretos) ou por garças, colhereiros e cabeças-secas (formando os ninhais brancos).

De acordo com o analista ambiental, por meio do mapeamento são identificados os ninhais e registradas suas características e localização. “Com o mapeamento identificamos as espécies presentes no ninhal, o nome da propriedade onde está localizado, o corpo d’água mais próximo e suas coordenadas geográficas. Já com o monitoramento observamos in loco o ninhal e as tendências das colônias, ou seja, atividades, tamanho e número de aves seu deslocamento na mata, árvores utilizadas para a nidificação e as possíveis ameaças locais como fogo, turismo desordenado, pesca de iscas vivas, animais domésticos e atividades que possam causar algum tipo e impacto local”.

Para desenvolver esse trabalho, a Sema conta com o apoio de proprietários de várias fazendas, pousadas, hotéis e instituições, além dos moradores da região do Pantanal. Entre os parceiros estão o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Estância Ecológica Sesc Pantanal, Fazendas Bom Futuro, Botucatu, Campo do Meio, Carandá Comprido, Imaculada, Ipiranga, Ixú, Jatobá, Morada da Serra, Pirizal, Santa Elvira, Santo Antônio da Barra, Santo Antônio das Lendas, Santri, São Benedito, São João, São Miguel, São Sebastião e São Vicente do Rio Claro. Também colaboram com o trabalho os Hotéis Arara Azul, Porto Jofre e Camalote e as Pousadas Carandá, Piuval e Pouso Alegre, o Grupo Camargo, Engesa Engenharia e Construtora Sanches Tripolini, entre outros.

ATIVIDADES

Em 2010, entre as atividades desenvolvidas pelos técnicos da Sema, foram realizados monitoramento aéreo e por via terrestre dos ninhais, a instalação de placas informativas e a elaboração do guia sobre ninhais.

Todos os ninhais mapeados pela Sema foram monitorados e fotografados em dois períodos distintos, as fases de cheia e de seca no Pantanal, quando ocorrem atividades dos ninhais pretos e brancos, respectivamente. A primeira etapa dos trabalhos aconteceram de 14 a 15 de maio (ninhais pretos) e, na segunda etapa, de 28 a 30 de julho (ninhais brancos), totalizando mais de 42 horas de vôo.

No período de cheia foram localizados 41 ninhais dentre os quais 35 já haviam sido mapeados anteriormente. Nesse período foram registrados seis novos ninhais. Do total, foram registrados 24 ninhais pretos (21 ativos, dois inativos e um extinto). Quanto a atividade reprodutiva foram registradas entre as espécies biguás, biguatingas e baguaris.

No período de seca foram registrados um total de 42 ninhais que foram monitorados e fotografados (41 já anteriormente mapeados) e um novo ninhal. Nessa fase foram registrados 21 ninhais brancos (15 ativos, três inativos e três extintos) e atividade reprodutiva das espécies, cabeça-seca, garça-branca-grande e colhereiro.

“Este ano priorizamos o monitoramento por via terrestre dos ninhais ativos com maior facilidade de acesso e daqueles que nunca tinham sido avistados anteriormente”, explicou Marcos Roberto. As campanhas de monitoramento via terrestre aconteceram nos meses de fevereiro, abril, maio , julho, agosto, setembro e novembro.

Como resultado desse monitoramento, no período de cheia, foram visitados um total de 17 ninhais pretos. “Devido ao acesso difícil, o ninhal do Guató, por exemplo, foi monitorado por via terrestre pela primeira vez este ano desde 2007 quando soubemos da sua existência”. Em 2008, o ninhal já havia sido monitorado (por via aérea) na época da seca quando foi constatada uma queimada, provavelmente ocorrida no ano anterior. “Este ano observamos que o ninhal estava ativo, porém estabelecido em uma nova área, próxima da ocupada anteriormente”.

No período da seca, o monitoramento terrestre foi realizado em 14 ninhais branco. Um deles, o ninhal do Pirizal, inativo, foi monitorado pela primeira vez este ano.

INFORMAÇÃO

Um trabalho fundamental para o ordenamento do turismo na região começou a ser realizado este ano com a instalação de placas informativas. “Além de orientar os turistas na visitação dos ninhais, as placas também orientam fazendeiros, pescadores, piloteiros e ribeirinhos, a não perturbar as aves durante o período reprodutivo”, explicou Marcos Roberto.

No início do ano foram instaladas placas informativas em dois ninhais no município de Cáceres – os ninhais do Presidente e da Baía das Éguas. Os ninhais do Presidente e o da Baía das Éguas, localizados respectivamente às margens do Rio Paraguai e numa baía próxima a esse rio, recebem um fluxo considerável de pequenas e grandes embarcações com turistas, que se não forem orientados de forma correta, representa um fator de perturbação para as aves.

Outro trabalho destacado pelo analista ambiental foi a elaboração do Guia sobre Ninhais do Pantanal. “Nesses quatro anos registramos muitas informações a respeito da história dos ninhais ativos e já extintos, suas relações com a comunidade local, o uso do entorno, o grau de ameaça e sua conservação. As principais ameaças já foram identificadas e a Sema já vem adotando medidas de proteção entre elas a elaboração de um guia com informações uteis a todos envolvidos direta e indiretamente com o uso e conservação dos ninhais como prefeituras, colônias de pescadores, guias e agências de turismo, hotéis, pousadas e outros”.

No guia estão informações sobre a importância dos ninhais para o meio ambiente, a biologia, reprodução e identificação das aves aquáticas, além de uma série de recomendações visando ações de conservação.

De acordo com Marcos Roberto, o projeto gráfico da publicação está em sua fase final de elaboração e, a impressão e lançamento estão previstos para o ano que vem.

RESULTADO

Como resultado de todo esse trabalho desenvolvido pela Sema desde 2006 já foram mapeados na região do Pantanal Mato-grossense cerca de 48 ninhais dos quais 42 estão ativos e seis extintos, considerados assim porque estiveram inativos por mais de três anos consecutivos de monitoramento. A partir do ano que vem, esses ninhais não serão mais monitorados pelo órgão.

“Este ano verificamos que os ninhais brancos voltaram a se formar e, aparentemente, as colônias reprodutivas foram maiores do que as registradas em anos anteriores (2007 e 2008)”.

Quanto aos ninhais pretos monitorados, Marcos Roberto Ferramosca explicou que grande parte deles não estão sofrendo ameaças devido à dificuldade de acesso a essas áreas no período de cheia. “Nesse caso, as ameaças observadas foram a atividade de captura de iscas vivas e a navegação intensa de embarcações de pesca e turismo. O fogo representa uma ameaça para os ninhais pretos na época da seca, quando estão inativos, já que destrói as árvores utilizadas para a nidificação”.

O analista ambiental lembra ainda que o fogo também constitui ameaça para os ninhais brancos. “O fogo ainda é utilizado em algumas fazendas para manejo de pastagens. Seu uso descontrolado no período da seca representa uma ameaça não somente para os ninhais, mas para todo o ecossistema pantaneiro”.

Para 2011, os técnicos da Sema planejam a continuidade do mapeamento e monitoramento dos ninhais, além da confecção e distribuição do guia sobre os ninhais do Pantanal. “Também estaremos trabalhando com diferentes atores para discutir as estratégias e medidas de proteção dos ninhais, visando compatibilizar o uso da terra com a preservação dessas áreas”, disse o analista ambiental.