Mínimo diferente de R$ 540 será vetado, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez hoje a mais enfática defesa do salário mínimo de R$ 540, definido pelo governo por Medida Provisória que ainda será examinada pelo Congresso Nacional. “Se vier algo diferente disso, vamos simplesmente vetar”, disse Mantega, em entrevista coletiva. Ele argumentou que o valor definido está em um patamar que …

04/01/2011 18:11



O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez hoje a mais enfática defesa do salário mínimo de R$ 540, definido pelo governo por Medida Provisória que ainda será examinada pelo Congresso Nacional. “Se vier algo diferente disso, vamos simplesmente vetar”, disse Mantega, em entrevista coletiva. Ele argumentou que o valor definido está em um patamar que preserva o equilíbrio das contas públicas e a coerência da política fiscal. “Um aumento acima disso pode provocar expectativas negativas, até mesmo de inflação”, afirmou o ministro, explicando que um valor maior elevaria os gastos com a Previdência e deterioraria as contas públicas. “É temerário, neste momento, um mínimo acima de R$ 540”, disse.

Mantega lembrou que os R$ 540 são resultado da política de valorização do piso salarial do País implementada nos últimos anos – que prevê a correção pela inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Segundo ele, essa política permitiu uma grande valorização do mínimo nos últimos anos e tem dado certo. “Se não cumprir agora essa política, vira brincadeira”, afirmou.
Corte de gastos
O ministro da Fazenda anunciou hoje que haverá “uma redução razoável de gastos” em 2011. “O fato é que devemos desembocar numa redução razoável de gastos. Mas não tem parâmetro”, disse, ao comentar que os números que têm saído na imprensa não estão corretos. “Tudo o que a gente conseguir reduzir, nós faremos”, afirmou.
Mantega explicou que essa redução do gasto público faz parte “de um movimento cíclico da economia”. “Saímos da fase de recuperação da economia, onde o Estado teve de gastar mais. Agora, estamos em outra fase, em que o Brasil está consolidado e a economia pode caminhar com seus próprios pés e não precisa tanto do estímulo fiscal”, disse Mantega. “Vamos reduzir o estimulo fiscal. Portanto, a demanda pública vai diminuir, abrindo espaço para que a demanda privada cresça”, afirmou. “Agora, o Estado pode sair, reduzir o peso e vamos ter um resultado fiscal maior”, disse Mantega.
Apesar do menor peso da demanda estatal na economia, Mantega afirmou que o crescimento brasileiro vai continuar e que o PIB deve ter expansão em torno de 5% em 2011. “É uma reacomodação da política monetária e fiscal”, disse o ministro, ao comentar a mudança do jogo de forças que deve manter a economia aquecida neste ano.