Cuiabá tem a 4ª cesta básica mais cara do país

Cuiabá encerrou 2010 com a quarta cesta básica de alimentos mais cara do país (R$ 250,61), segundo levantamento divulgado pela KGM Pesquisa. No mês de dezembro, o índice de aumento da inflação nos alimentos atingiu 2,35% em relação a novembro, acompanhando o comportamento registrado em outras 14 das 17 capitais brasileiras. No ano, a alta …

13/01/2011 11:17



Cuiabá encerrou 2010 com a quarta cesta básica de alimentos mais cara do país (R$ 250,61), segundo levantamento divulgado pela KGM Pesquisa. No mês de dezembro, o índice de aumento da inflação nos alimentos atingiu 2,35% em relação a novembro, acompanhando o comportamento registrado em outras 14 das 17 capitais brasileiras. No ano, a alta acumulada nos preços chega a 13,22%, ainda de acordo com a pesquisa mensal, e o valor da cesta básica de Cuiabá representou em dezembro 49,13% do salário mínimo do trabalhador.

O professor de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso e ex-coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas, Manoel Martha, considera o custo da cesta básica bastante elevado. “Não conheço a metodologia da pesquisa, mas os índices apurados são altos para uma capital como Cuiabá, localizada no Estado do agronegócio”, comentou ele. No Brasil, o custo da cesta básica em 2010 ficou em 10,9%.

Segundo a KGM, do conjunto de 13 produtos que integram a cesta básica, cinco registraram aumento nos preços em relação a novembro, seis apresentaram redução e, dois, permaneceram estáveis. Mais uma vez, os alimentos têm exercido pressão sobre os preços e causado inflação. Dessa vez, o culpado pela alta do índice foi o tomate (59,63%), seguido da banana nanica (15,54%) e, óleo de soja, 5,49%. O açúcar apresentou alta de 2,85% e, o arroz (tipo 1), 1,18%. Farinha de trigo e pão francês não apresentaram variação de preços no último mês de dezembro.

Por outro lado, também há alimentos que estão ficando mais baratos. Dentre os seis produtos que apresentaram redução em seus preços, no mês dezembro, destacam-se o leite (-10,51%), manteiga (-6,22%), café (-5,34%), carne (coxão mole -5,33), feijão carioca (-3,82%) e, batata, -0,68%. (Veja quadro ao lado)

CESTA – Tomando-se por base os preços da cesta básica, a pesquisa detectou evolução de 14,30% no período de dezembro de 2009 a dezembro de do ano passado. Em dezembro, a cesta era adquirida por R$ 219,25 e, no mês de janeiro, R$ 221,61. Os mesmos alimentos custaram em dezembro o valor de R$ 250,91, em média.

O melhor preço da cesta básica, no ano, foi registrado no mês de julho, quando chegou a ser adquirida por 214,82. Em novembro a cesta valia em R$ 244,72, ou seja, 2,40% a menos do que no mês seguinte.

Em relação a novembro, a alta nos preços dos alimentos em Cuiabá acompanhou outras 14 capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese. A maior alta acumulada do ano, segundo o Dieese, ocorreu em Goiânia (GO), da ordem de 22,90%, contra a menor do país registrada em Aracaju (SE), de 3,96%.

Mesmo com o aumento de 2,35% no preço dos alimentos básicos registrado em dezembro, Cuiabá melhorou uma posição no ranking nacional de preços, caindo de terceira para quarta cesta básica mais cara do país.

SAZONALIDADE – O professor e economista Manoel Martha atribui a alta nos preços dos alimentos à “sazonalidade” dos produtos da cesta básica, com destaque para os hortifrutis. “Em determinadas épocas do ano, como agora, a produção cai em função das chuvas e, com isso, os preços sobem. É muito comum ocorrer isso com esses tipos de produtos, por isso pode ocorrer oscilações de preços de um mês para o outro”, avaliou.

Martha aposta na redução dos preços da carne e do leite e acredita que o governo federal poderá recorrer a instrumentos de política de crédito para “frear um pouco a onda consumista e manter a inflação sob controle”.