Pesquisas de emprego do Dieese e do IBGE analisam cidades diferentes

Três grandes pesquisas realizadas por órgãos diferentes ajudam a entender e analisar a dinâmica do mercado de trabalho no Brasil. Duas delas costumam ser divulgadas em datas bastante próximas, a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) e a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), e seus resultados normalmente mostram números distintos. Por que ocorre essa diferença …

27/01/2011 16:33



Três grandes pesquisas realizadas por órgãos diferentes ajudam a entender e analisar a dinâmica do mercado de trabalho no Brasil. Duas delas costumam ser divulgadas em datas bastante próximas, a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) e a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), e seus resultados normalmente mostram números distintos.

Por que ocorre essa diferença de resultados? A resposta é simples: são os locais analisados. A PED é feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no mercado de trabalho de sete regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e o Distrito Federal.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é quem responde pela PME, e entram na conta seis capitais. Na comparação com a pesquisa do Seade/Dieese, saem Fortaleza e o Distrito Federal, e entra o Rio de Janeiro.

Por si só, estas mudanças já resultariam em números diferentes mesmo, porque o Rio é o segundo maior mercado de trabalho do país, com a segunda maior população urbana na região metropolitana – perdendo só para São Paulo.

Além disso, cada mercado tem uma característica diferente que varia conforme os setores mais fortes, seja ele a indústria, o comércio, os serviços, a construção civil, entre outros.

O que é desemprego?

Mas há mais diferenças, como o tempo que o levantamento demora para ser feito e a consideração do que, de fato, é desemprego.

Para o Seade/Dieese, o desemprego aparece no mercado em três categorias: aberto (quando as pessoas procuram trabalho, mas não encontram), oculto por desalento (pessoas que não procuraram trabalho nos últimos 30 dias porque não há vagas) e oculto por trabalho precário (que realizam trabalhos como bicos e serviços do tipo, mas que não é, de fato, um emprego).

O IBGE abrange somente as informações referentes ao desemprego aberto. Ou seja, quando os trabalhadores que estão desempregados há mais de 30 dias procuram emprego. Se ele não procura emprego, ou faz bico, ele não entra na conta.

Sobre o tempo da coleta de dados, a PED é construída a partir de uma conta que considera três meses, isto é, a pesquisa de desemprego com os dados de dezembro já vinha sendo construída desde outubro; a de janeiro, com os números desde novembro; e assim sucessivamente.

O IBGE, por sua vez, considera somente os 23 dias anteriores à data de divulgação (para os dados mensais) ou os 358 dias prévios (para a comparação dos números entre um ano e outro).

O estudo do Seade/Dieese leva em conta 3.000 moradias nos 39 municípios da Grande São Paulo para fazer as entrevistas, enquanto o IBGE ouve os habitantes de 7.820 na mesma região. Nos dois casos, as residências mudam de um mês a outro, mas continua o objetivo de saber se os moradores daquela casa procuraram emprego, onde eles trabalham, quanto ganham, entre outros.

Qual delas é a mais certa? Para o economista Alexandre Loloian, coordenador da equipe de análise da PED, “não existe certo e errado” entre os levantamentos.

– As duas pesquisas são parecidas. As condições da seguridade social no Brasil são precárias, então não podemos colocar tudo junto [ou seja, deixar de dividir quem trabalha efetivamente, quem faz bico e quem está incluído na população ativa, mas está desanimado para procurar emprego].

É preciso ser dito que o número de nenhuma das duas pesquisas é usado pelo Ministério do Trabalho, que também faz sua análise do mercado de trabalho. A pesquisa do governo se baseia nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que considera os registros em carteira formalizados pelas empresas em todas as cidades do país.

Todos os dados são complementares e normalmente apontam para o mesmo lado – se o desemprego cai em uma delas, o da outra não vai demorar a aparecer. Para o trabalhador, basta saber qual o rumo que o mercado de trabalho vai tomar. Se há aumento de vagas, basta a ele saber que deve, sim, procurar emprego se ainda não estiver trabalhando.