EUA querem discutir retomada de Doha e câmbio chinês com o BR

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, vai discutir com o governo brasileiro formas de ressuscitar as negociações da Rodada Doha de liberalização comercial e também reafirmar interesses comuns dos dois países para lidar com a subvalorização da moeda chinesa, em visita que faz a Brasília e São Paulo na próxima segunda-feira. Interesse …

06/02/2011 14:01



O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, vai discutir com o governo brasileiro formas de ressuscitar as negociações da Rodada Doha de liberalização comercial e também reafirmar interesses comuns dos dois países para lidar com a subvalorização da moeda chinesa, em visita que faz a Brasília e São Paulo na próxima segunda-feira.

Interesse – “Os dois países têm interesse em dar prosseguimento às discussões de Doha”, disse ao Valor um funcionário do Tesouro, sem apontar nenhum caminho concreto. Segundo essa fonte, a Rodada Doha certamente fará parte da agenda econômica da visita do presidente americano, Barack Obama, ao Brasil em março. As negociações estão emperradas desde 2008, devido sobretudo à resistência de economias avançadas em cortar subsídios agrícolas.

Subvalorização – Os EUA afirmam ter interesses comuns com o Brasil em relação à subvalorização da moeda chinesa, porque os dois países mantêm regimes de câmbio flutuante. ” “É importante que grandes economias emergentes também permitam que suas taxas de câmbio respondam às forças de mercado”, afirmou o funcionário do Tesouro. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica manteve posição ambígua em relação à manipulação da moeda chinesa, apontando a política monetária expansionista dos EUA como o principal motor da valorização do real, ao alimentar fortes fluxos de capitais estrangeiros ao país. A presidente Dilma Rousseff, porém, tem indicado que adotará uma postura mais dura em relação à China.

Déficit – No ano passado, o déficit comercial do Brasil com os EUA subiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 8 bilhões, o que significa que boa parte do ajuste externo americano recente está recaindo sobre a economia brasileira. Na visão dos EUA, porém, o desequilíbrio comercial entre as duas economias ocorre porque os consumidores americanos estão mais retraídos e reduzindo dívidas, enquanto países emergentes, como a China, continuam baseando o crescimento na demanda externa.

Ajuste – Se países como a China não estimularem a demanda doméstica nem deixarem o câmbio se valorizar, economias com regime cambial mais flexível, como o Brasil, vão arcar com uma parcela maior do ajuste feito pelos consumidores americanos. “De novo, é uma história em que Brasil e EUA têm interesses comuns, não divergentes.”

Fluxo capital estrangeiro  – Para o funcionário do Tesouro americano, o que realmente está por trás dos fortes fluxos de capitais estrangeiros ao Brasil não é a expansão monetária feita pelo Federal Reserve, mas sim o ritmo mais forte de recuperação econômica no Brasil do que nos EUA. “Temos que trabalhar juntos para administrar as diferentes velocidades de recuperação econômica”, afirmou.

Commodities – Nas reuniões em Brasília, Geithner deverá também se mostrar um aliado do Brasil contra eventuais mudanças no mercado mundial de commodities. A França, país que coordena os trabalhos do G-20, defendeu uma regulação nos mercados futuros de commodities para evitar altas exageradas de preços, que têm levado as cotações aos maiores patamares em décadas. O Brasil, como grande exportador de alimentos e outras commodities, é contra mexer nas regras do jogo. “Certamente é preciso melhorar a transparência dos preços e assegurar que esse mercado seja o mais sólido possível”, afirmou o funcionário do Tesouro. “Mas acho que temos muita coisa em comum com o Brasil, pois ambos os países têm demonstrado o interesse de ter os preços das commodities determinados pelo mercado.”





Tags: