2011 será o melhor ano para o frango

Os bons números nas exportações de carne de frango em janeiro, com avanços nas vendas para países do Oriente Médio, da Ásia e da África, além de uma incipiente recuperação na Europa, reforçam a expectativa de especialistas e produtores de que este pode ser o melhor ano do setor, superando o recorde de 2008. Apesar …

10/02/2011 17:30



Os bons números nas exportações de carne de frango em janeiro, com avanços nas vendas para países do Oriente Médio, da Ásia e da África, além de uma incipiente recuperação na Europa, reforçam a expectativa de especialistas e produtores de que este pode ser o melhor ano do setor, superando o recorde de 2008. Apesar disso, os avicultores brasileiros preferem a cautela ao fazer projeções, preocupados com a perspectiva de queda nos seus preços e de alta dos custos de produção, sobretudo do milho. “Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, brinca Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef).

Mesmo assim, o dirigente reconhece que o cenário externo deverá consolidar o posto do Brasil de líder mundial na exportação de carne de frango. “A alta dos insumos assusta e o enfraquecimento do dólar preocupa, mas 2011 começou bem para as vendas externas, com 267 mil toneladas”, diz Turra. Ele ressalta que o produtor brasileiro tem 154 mercados abertos no globo, dos quais 112 são compradores mensais. A maior vantagem do país está na capacidade de atender o gosto do freguês, ajustando produção a cortes, temperos, rações e remédios usados e até a preceitos religiosos (judaico e islâmico).

Outro fator favorável, acrescenta Turra, é a limitação dos dois maiores produtores mundiais de carne de frango, Estados Unidos e China, para crescer no mercado externo. Com grande consumo doméstico, o mercado americano exporta basicamente partes menos consumidas para preservar margens. O chinês, por sua vez, tem volume de produção próximo ao do Brasil, mas ainda é forçado a importar. E isso tudo sem contar o fantasma da gripe aviária.

Novos mercados

No mês passado, as exportações de carne de frango do país subiram 44% sobre igual mês de 2010, resultando em US$ 504 milhões, com preços 18% melhores. “É um setor que conseguiu avançar em novos mercados nos últimos sete anos e que pode trazer mais boas surpresas”, avalia Alessandro Teixeira, secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Estudo do governo mostra que, até 2020, a produção nacional de carne de frango chegará a 16,63 milhões de toneladas, uma alta de 40%.

Segundo Osler Desouzart, um dos maiores especialistas em comércio de aves no mundo, a avicultura brasileira iniciou trajetória de recuperação no segundo semestre de 2010, se descolando dos recuos sofridos no ano anterior, com a crise global. O consultor duvida que o ano mantenha o embalo de janeiro, mas sublinha que o horizonte no longo prazo é auspicioso, se considerar que o consumo per capita tende a crescer mais na África e na Ásia, puxado por alta de renda e patamares atuais muito baixos.

Wander Fernandes de Souza, analista da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), avalia que 2011 deverá confirmar uma contraditória tendência de baixa dos preços, com elevação da demanda superior à oferta. A razão disso é que as cotações da carne do frango são formadas também em função do mercado de carne bovina. Este ano, a produção das granjas poderá subir 5%, acima dos 3% da carne bovina. “O quadro só ficará mais claro a partir de abril, pois precisamos conhecer o impacto da escassez da carne bovina na procura pela carne de frango nos mercados interno e externo”, resume Souza.

O coordenador-geral para Pecuária e Culturas Permanentes do Ministério da Agricultura, João Antônio Fagundes Salomão, ressalta que a produção de carne de frango reage imediatamente à demanda, o que dificulta traçar cenários de longo prazo. “É um setor dinâmico e ajustado aos movimentos de mercado, com ciclos de 40 dias. Se a procura dispara, aumenta o alojamento”, diz.

Os principais insumos, milho e mão de obra, devem ser considerados nas estimativas para a avicultura, acrescenta Thomé Luiz Freire Guth, analista da CONAB. Segundo ele, a segunda safra de milho, que começou a ser plantada em janeiro no Paraná, deverá registrar crescimento de 11%. Mas há dúvidas quanto à produtividade no plantio que Mato Grosso fará ainda este mês, após colher a soja, com atraso. “A safrinha e a entrada da safra de verão regularizarão a oferta do milho, podendo haver até leve recuo de preços”, afirma Guth.

Carlos Mielitz, professor de economia agrícola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vê perspectivas promissoras para a carne de frango brasileira, devido à crescente demanda do mercado internacional, sobretudo, da Ásia. A retomada do mercado europeu também é importante, pois tem grande demanda por produtos sofisticados. Em 2010, o Brasil exportou 471 mil toneladas de frango para a União Europeia, que renderam US$ 1,2 bilhão.

Mielitz alerta para o risco de Europa e Estados Unidos começarem a subsidiar suas produções, criando uma concorrência desleal. Apesar de regulamentadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), as ajudas à agricultura podem ser feitas de forma “criativa”. “Um processo aberto contra eventuais subvenções se arrastaria por anos e o estrago já estaria feito”, finaliza.

Crescimento de 17,5%

O brasileiro consumiu, em média, 94 quilos de carne (bovina, suína e de frango) no ano passado, um crescimento de 17,5% sobre os 80 quilos de 2001, apontou levantamento recente da consultoria Informa Economics FNP. A taxa média de crescimento em dez anos foi de 1,6%, puxada pelas aves. De 2001 a 2010, a carne de frango superou a bovina como a mais consumida, saindo de 31 quilos por habitante para 44,7 quilos no ano passado, um aumento de 44%. O consumo de carne bovina ficou estável no período, em 35 quilos por habitante por ano, e o da suína avançou pouco (2,8%), atingindo 14,8 quilos.