FIDEL ACUSA EUA E OTAN DE USAREM CRISE LÍBIA PARA JUSTIFICAR INTERVENÇÃO

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro acusou os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de aproveitarem o conflito interno da Líbia para “promover” uma intervenção militar no país.    “O imperialismo e a OTAN — seriamente preocupados com a onda revolucionária desatada no mundo árabe, onde se produz grande parte …

03/03/2011 13:32



O ex-presidente de Cuba Fidel Castro acusou os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de aproveitarem o conflito interno da Líbia para “promover” uma intervenção militar no país.
  
“O imperialismo e a OTAN — seriamente preocupados com a onda revolucionária desatada no mundo árabe, onde se produz grande parte do petróleo que sustenta a economia de consumo dos países desenvolvidos e ricos — não podiam deixar de aproveitar o conflito interno surgido na Líbia para promover uma intervenção militar”, escreveu o líder da Revolução Cubana em um artigo publicado hoje, intitulado “A guerra inevitável da OTAN”.
  
Em sua opinião, “as circunstâncias não podiam ser mais propícias”, uma vez que “nas eleições de novembro [para o Legislativo nos Estados Unidos], a direita republicana deu um golpe contundente no presidente [Barack] Obama”, citando diretamente o grupo político norte-americano Tea Party.
  
Fidel aponta, porém, que os EUA não contava que “os próprios líderes da rebelião” declarassem “que rechaçavam toda intervenção militar estrangeira”.
  
O ex-presidente cubano ainda se pergunta: “Por quê o empenho em apresentar aos rebeldes como membros proeminentes da sociedade exigindo bombardeios dos Estados Unidos e da OTAN pra matar líbios?”. “Algum dia se conhecerá a verdade”, acrescenta ele.
  
A nação de Obama e seus aliados, segundo o líder cubano, “empregaram os meios mais sofisticados para divulgar informações deformadas sobre os acontecimentos”.
  
Ontem, embaixadores dos 28 países membros da força militar ocidental se reuniram em Bruxelas para discutir uma possível intervenção militar na Líbia, proposta que já recebeu a oposição da França.
  
No mesmo dia, um grupo de políticos neoconservadores dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente norte-americano pressionando-o a agir diretamente no conflito entre os insurgentes e o governo de Muammar Kadafi.
  
Na semana passada, Fidel já havia alertado para uma possível invasão militar na Líbia, pontuando que “o complexo militar industrial dos Estados Unidos forneceu bilhões de dólares por ano a Israel e aos próprios estados árabes submetidos e humilhados por ele”, e que agora “o gênio saiu da lâmpada e a OTAN não sabe como controlá-lo”.
  
A Líbia foi suspensa do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) por causa da repressão contra os opositores, que ontem foi intensificada principalmente na cidade de Brega, no leste do país, que marca a divisão entre a região controlada pelos insurgentes e a controlada pelas forças leais a Kadafi.
  
O petróleo corresponde a 95% da exportação da Líbia e a 80% da fonte de renda do governo. Em 2009, o país africano ficou em 18º na lista dos maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos, com 1,79 milhão de barris produzidos por dia. Seus maiores parceiros comerciais são a Itália, responsável por importar 37,65% dos produtos de exportação líbios e a Alemanha, (10,11%). (ANSA)





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