Ânimos acirrados na AL

A primeira tentativa de democratizar o debate a respeito do modelo de gestão pretendido pelo Estado nos hospitais regionais foi marcada por ânimos acirrados e intensa mobilização por parte de movimentos sociais, estudantis e instituições reguladoras em audiência pública na Assembleia Legislativa, ontem. Mais de 400 pessoas estiveram no local. Já no fim do dia, …

18/03/2011 07:03



A primeira tentativa de democratizar o debate a respeito do modelo de gestão pretendido pelo Estado nos hospitais regionais foi marcada por ânimos acirrados e intensa mobilização por parte de movimentos sociais, estudantis e instituições reguladoras em audiência pública na Assembleia Legislativa, ontem. Mais de 400 pessoas estiveram no local. Já no fim do dia, logo após seu pronunciamento aos presentes, o presidente da Associação dos Aposentados e membro do Conselho de Saúde de Cuiabá, Lousite Ferreira da Silva, sofreu um mal súbito no auditório e morreu em decorrência de duas paradas cardíacas.

A Secretaria de Estado de Saúde defende a ideia de que a administração dos quatro hospitais regionais em atividade no Estado e o Hospital Metropolitano de Várzea Grande – com inauguração prevista para maio – seja feita por Organizações Sociais (OS). A forma de gestão é duramente criticada por setores ligados à Saúde e é chamada pela categoria de terceirização do setor.

Durante a audiência, o secretário Pedro Henry destacou as dificuldades de acesso à saúde em todo o Estado e a demora nos serviços. Sob vaias, Henry afirmou que, para colocar o Hospital Metropolitano de Várzea Grande em funcionamento de forma rápida, é preciso parceria com uma OS. “Estamos há dois anos sem proposta para viabilizar o funcionamento [do hospital]. Foi por isso que buscamos esse modelo, para poder oferecer os leitos à população mais rapidamente”.

Já para o presidente do Sindimed, Edinaldo Lemos, entregar a administração dos hospitais para OS é assinar a carta de incompetência para gerir a Saúde. “Falta vontade para arranjar recursos para o setor. Esse modelo proposto prejudica o trabalhador, não haverá mais concurso. Servidor público tem que ser concursado”.

O presidente do CRM, Arlan Azevedo, classificou o modelo proposto pela SES como “golpe de misericórdia” à Saúde e defendeu transparência e discussão durante processo de escolha do tipo de administração dos regionais. “Escolheram um modelo sem nem consultar o Conselho de Estado de Saúde”, criticou.

Durante a audiência, o médico e vereador Lúdio Cabral, membro da Comissão da Saúde, disse que o caminho escolhido pela SES para tentar resolver parte dos problemas é equivocado e compromete o SUS (Sistema Único de Saúde). Ele sugeriu auditorias nos hospitais regionais para saber por que os custos foram tão altos. “Fisiologismo, má gestão, loteamento. É por isso que esses hospitais custam caro”, afirmou. “Eu não posso ser convencido de que o Estado não tem competência para colocar em funcionamento um hospital em dois anos”, criticou, aplaudido pelos presentes. O vereador também sugeriu que, ao invés de colocar a administração sob Organizações Sociais, que o hospital metropolitano seja transformado em uma autarquia, “com gestão pública, técnica, sem loteamento”.

MORTE – A audiência foi suspensa depois que o membro do Conselho Estadual de Saúde e presidente da Associação dos Aposentados, Lousite Ferreira da Silva, passou mal. O aposentado teve convulsões e entrou em coma momentos após falar ao público. A vítima recebeu socorro dos médicos presentes na audiência, mas teve uma parada cardíaca ainda na AL. Minutos depois, Silva foi reanimado pela equipe do Samu que o atendeu e foi encaminhado para o Pronto-Socorro de Cuiabá, mas teve outra parada cardíaca ao dar entrada no hospital e morreu