O que Obama deixa para o Brasil

A visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos mobilizou o país. Os brasileiros ficaram impressionados com todo o aparato de segurança que cerca o homem mais poderoso do mundo e os gastos que os Estados Unidos têm com uma viagem dessas. Um show à parte. Porém, resta saber o que, de concreto, vai resultar …

21/03/2011 08:19



A visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos mobilizou o país. Os brasileiros ficaram impressionados com todo o aparato de segurança que cerca o homem mais poderoso do mundo e os gastos que os Estados Unidos têm com uma viagem dessas. Um show à parte. Porém, resta saber o que, de concreto, vai resultar a viagem encerrada no domingo.

Como era de se esperar, a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi marcada por questões comerciais, como já tinha sido anunciado. Obama veio ao Brasil para negociar a expansão das exportações, um objetivo que vem perseguindo por todos os países que tem visitado.

Se as negociações evoluirão, somente o decorrer dos dias dirá. Mas não se pode deixar de reconhecer os proveitos tirados com a visita do presidente dos Estados Unidos. A imagem do Brasil, em termos de segurança, anda arranhada, principalmente com os acontecimentos no Rio de Janeiro, onde o trágico de drogas tem feito grandes tragos.

Pode-se dizer então que a visita de Obama terá um efeito colateral de valor incalculável. O primeiro fator positivo que se pode destacar é o marketing em favor do Rio de Janeiro como uma cidade segura o suficiente para o homem mais visado do mundo passear com a família. A cidade prepara-se para sediar as Olimpíadas de 2016 e é também uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Vale lembrar que o Rio foi intensamente criticado por conta dos problemas de segurança.

Obama esteve no Corcovado e a Cidade de Deus, além de discursar no Teatro Municipal. O esquema de segurança foi intenso, e não se esperava o contrário. Mas, com certeza, a imagem que fica é a do presidente americano e família apreciando o Cristo Redentor.

Mas, de um modo geral, na questão dos negócios, devem haver avanços. Afinal de contas é interesse das duas nações. No campo diplomático ainda há algumas dúvidas. Os jornais americanos, como o New York Times, descreveram o esforço dos dois lados para melhorar a relação diplomática. No ano passado, houve estremecimento depois de o Brasil votar contra uma resolução com sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, irritando os EUA. Na quinta-feira, na aprovação de uma resolução contra Muamar Kadafi, os dois países ficaram mais uma vez em lados opostos. Os americanos foram a favor, enquanto os brasileiros optaram pela abstenção.

Mas o cenário mudou depois da chegada de Dilma ao poder. Em análise distribuída a seus clientes, Christopher Garman, da agência de risco político Eurasia, disse que no governo Lula a política externa era focada nas relações sul-sul, que culminaram em ações como a do posicionamento brasileiro no caso iraniano, gerando uma tensão com os americanos. Os fatos são positivos. Espera-se que, em futuro bem próximo, a visita de Barack Obama e sua família resulte em novos investimentos e projetos que façam o Brasil avançar econômica e diplomaticamente.