Motoristas estão com poucas opções para o abastecimento

Problemas nos equipamentos, falta de peças para reposição e mão-de-obra especializada escassa levam proprietários de veículos movidos a GNV (Gás Natural Veicular) a ficar com poucas opções para abastecer seus carros. Dos cinco postos em funcionamento em Cuiabá, apenas um estava operando o sistema de gás na última segunda-feira à tarde. Os demais estavam quebrados …

23/03/2011 07:08



Problemas nos equipamentos, falta de peças para reposição e mão-de-obra especializada escassa levam proprietários de veículos movidos a GNV (Gás Natural Veicular) a ficar com poucas opções para abastecer seus carros. Dos cinco postos em funcionamento em Cuiabá, apenas um estava operando o sistema de gás na última segunda-feira à tarde. Os demais estavam quebrados ou em manutenção. Os consumidores, pelo menos desta vez, não estão sem o combustível na bomba e sim, em muitos casos, sem a bomba para abastecer.

O posto Vip da Avenida Miguel Sutil, por exemplo, está com seu equipamento de GNV parado há mais de dois anos, o mesmo ocorrendo com o Zero-Km, em Várzea Grande, que também não opera há um bom tempo com GNV. Um dos funcionários do Vip informou que o estabelecimento está concluindo as novas instalações para a retomada do funcionamento. “Os técnicos não deram a manutenção necessária e somente agora estão ajustando os equipamentos”, disse uma funcionária. Já o posto Zero não tem previsão de quando retomará o abastecimento.

Em Cuiabá, apenas dois estabelecimentos funcionavam ontem pela manhã: o Ipê, da rodovia Cuiabá-Santo Antônio [com apenas um bico de abastecimento], e o Santa Elisa, na esquina entre as Avenidas General Mello e Miguel Sutil, este último com 50% de seus bicos desativados. De acordo com o gerente do posto, Otávio Dias, a situação foi emergencial. “O sistema teve de passar por ajustes e tivemos de suspender o fornecimento na segunda-feira por algum tempo”. Segundo ele, o problema “é a falta de peças de reposição no mercado”, uma vez que a tecnologia do GNV introduzida no Estado é argentina. Mesmo assim, ele garantiu que o problema já está sendo resolvido e os motoristas poderão abastecer normalmente nas próximas horas.

Proprietário do posto Metropolitano (Avenida Fernando Corrêa), Ranmed Moussa, está revoltado com a situação, que tem gerado transtornos e indignação aos clientes. “O problema é que não podemos fazer nada. A manutenção é feita por uma empresa argentina – a So Energy – que adquiriu a Galileo, e com isso acabamos tendo de esperar muito tempo para que os nossos equipamentos sejam consertados e ajustados”. Ele investiu cerca de R$ 700 mil na instalação dos equipamentos, há quatro anos, e até agora não obteve retorno do investimento. “Se tivesse que tomar a decisão hoje, com certeza não faria este negócio”, disse ele.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o posto Ferrari – localizado próximo à rodoviária – também vem enfrentando problemas periodicamente. O posto está parado há cinco dias, aguardando uma peça queimada do compressor.

Outro posto, o Ipê, também já esteve parado por muitos dias, também devido a problemas nos equipamentos. Dos quatro bicos instalados, três estão funcionando. “Hoje o funcionamento está normal. Mas é imprevisível. Na mesma hora que está bom fica ruim e aí temos de aguardar dias”.

MOTORISTAS – A situação está gerando filas e causando indignação aos proprietários de veículos. Paulo Renato da Silva, dono de carro movido a GNV, foi um deles. “É uma tremenda falta de respeito com o cliente. Se a peça não existe em Cuiabá, deveriam providenciar antes que as demais bombas [bicos de abastecimento de gás] entrassem em colapso”, criticou.

Para o taxista Fernando Lopes, a situação está chegando ao extremo. “Há meses vários postos já não funcionam e agora estamos praticamente sem opção de abastecimento, tendo que nos sujeitar a imensas filas”, reclamou o motorista.

A instabilidade no funcionamento dos postos e no fornecimento de GNV, que já chegou a ficar paralisado por mais de 60 dias consecutivos no Estado – por falta de envio do combustível pelo governo boliviano -, está levando taxistas de Cuiabá a desistir do gás. Dos 302 veículos convertidos até 2007, menos de 150 ainda conservam os kits GNV e outros falam em retirar os equipamentos dos carros.

 fonte: diário de cuiabá