GNC Brasil acumula déficit e pode deixar Mato Grosso

A crise no fornecimento de gás natural a Mato Grosso vai além dos prejuízos aos postos e aos proprietários de veículos convertidos ao Gás Natural Veicular (GNV). A GNC Brasil, empresa responsável pela compressão, transporte e distribuição de gás aos postos e à planta da Sadia, em Várzea Grande, vai decidir nos próximos dias se …

06/04/2011 08:03



A crise no fornecimento de gás natural a Mato Grosso vai além dos prejuízos aos postos e aos proprietários de veículos convertidos ao Gás Natural Veicular (GNV). A GNC Brasil, empresa responsável pela compressão, transporte e distribuição de gás aos postos e à planta da Sadia, em Várzea Grande, vai decidir nos próximos dias se continuará com a operação do City Gate, no Distrito Industrial de Cuiabá. A reunião está prevista para a próxima segunda-feira.

A empresa tem concessão da Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás) por um período de 20 anos. O contrato foi firmado com garantia de entrega mínima de 50 mil metros cúbicos (m³/dia) em 2009, 55 mil m³ em 2010 e, 60 mil m³, em 2011, mas as entregas estavam irregulares e acabaram culminando na paralisação do fornecimento desde a semana passada por falta de pressão nos dutos, situação trazida com exclusividade pelo Diário. A GNC Brasil já acumula prejuízos acima de R$ 7 milhões desde que começou a operar a entrega do gás, há cerca de seis anos.

“Caso o fornecimento não seja restabelecido até o final desta semana, a diretoria da GNC fará uma reavaliação da situação para ver se é viável ou não continuar com a operação [do sistema] em Mato Grosso”, alertou ontem o engenheiro Francisco Jamal de Almeida, que responde pela empresa.

Diante da nova crise, a GNC estuda que medidas tomar. “Ainda não sabemos o que fazer neste momento, inclusive em relação ao nosso quadro de funcionários, pois não sabemos quanto tempo vai durar esta crise”. A empresa, que chegou a contar com 18 funcionários e agora tem apenas 10, já pensa em fazer remanejamentos ou até mesmo partir para demissões.

Segundo Jamal, o faturamento da empresa despencou mais de 60% nos últimos meses com a queda das vendas provocada pela retirada dos equipamentos de GNV dos veículos. “Chegamos a vender 800 mil m³ de gás à Sadia e aos postos. Só os postos consumiam 400 mil m³. Em março fechamos com apenas 158 mil m³”, informa Jamal.

Ele conta que cada vez que há “uma crise com esta”, temos um decréscimo da ordem de 50% no consumo. “Para se ter uma idéia, grandes empresas deixaram de investir na nova matriz por insegurança no fornecimento de gás por parte da Bolívia. Pelo menos sete empresas já estavam com contratos prontos para serem assinados e suspenderam o investimento”. Caso os contratos fossem assinados, o consumo de gás natural no Estado passaria para cerca de 1,5 milhão m³ por mês.

De acordo com Jamal, o custo de manutenção dos equipamentos no City Gate é muito alto e o negócio não está dando retorno. A GNC investiu mais de R$ 25 milhões na aquisição dos equipamentos – compressores, mates (cilindros de armazenamento do gás natural), caminhões, carretas, reguladoras de pressão, plataforma de descarga e conjuntos de medição e odorização. A empresa conta com uma frota de carretas com capacidade para transportar até 12 mil m³. O custo de manutenção desses equipamentos, incluindo peças e mão-de-obra, passa de R$ 20 mil.

MOTORISTAS – “Fim dos sonhos” é a definição do presidente do Sindicato dos Taxistas de Cuiabá (Sintac), Antônio Bodenar, para a nova crise do gás em Mato Grosso. “Se a população já não tinha mais confiança no projeto, a partir de agora a situação fica ainda mais difícil. Acredito que o sonho definitivamente desmoronou”. Ele conta que mais da metade da frota de táxi de Cuiabá e Várzea Grande chegou a funcionar com GNV. Atualmente, nem 15% dos carros permanecem com os equipamentos de GNV. Na Grande Cuiabá são 782 táxis ativos, sendo 604 em Cuiabá e 178 em Várzea Grande.