Al-Qaeda divulga mensagem póstuma de Osama Bin Laden

Uma gravação áudio, alegadamente feita por Bin Laden pouco antes de morrer, foi hoje colocada em vários sites islamitas da internet. No registo, com mais de 12 minutos de duração, o falecido líder da Al-Qaeda elogia as revoluções na Tunísia e no Egito, e fala de “uma rara oportunidade histórica” para que os muçulmanos se …

19/05/2011 09:38



Uma gravação áudio, alegadamente feita por Bin Laden pouco antes de morrer, foi hoje colocada em vários sites islamitas da internet. No registo, com mais de 12 minutos de duração, o falecido líder da Al-Qaeda elogia as revoluções na Tunísia e no Egito, e fala de “uma rara oportunidade histórica” para que os muçulmanos se revoltem.

O braço mediático da al-Qaeda, As-Sahab, refere Bin Laden como o autor da mensagem e chama-lhe “mártir do islão”.

A data do calendário islâmico que acompanha o áudio mostra que foi gravado entre 4 de Abril e 2 de Maio, a data em que os comandos americanos atacaram o edifício onde vivia Bin Laden, em Abbotabad no Paquistão.

No áudio a alegada voz de Bin Laden apela, em termos poéticos, à solidariedade entre os muçulmanos e refere-se às revoluções na Tunísia e no Egito, mas não faz qualquer referência aos acontecimentos na Líbia, Síria e Iémen.

“Há diante de vós um importante cruzamento, e uma grande e histórica oportunidade de vos erguerdes, com a Umma (comunidade islâmica), e de vos libertardes da servidão aos desejos dos governantes, das leis feitas pelos homens e da dominação ocidental”, diz a voz atribuída a Bin Laden.

“Por que esperam então? Salvem-se e aos vossos filhos porque a oportunidade está aí” conclui.

Alegada mensagem antecede o discurso de Obama

A mensagem cobre tópicos semelhantes aos de uma outra que foi encontrada no complexo onde vivia Bin Laden. A al-Qaeda escolheu difundi-la um dia antes da data prevista para um importante discurso de Barack Obama dirigido ao mundo árabe.

No discurso, o Presidente dos EUA deverá anunciar uma revisão das suas políticas para o mundo árabe na sequência dos levantamentos populares que se verificaram em vários países da região.

Os analistas acreditam que a al-Qaeda foi apanhada de surpresa pela vaga de revoluções árabes, que começou em janeiro na Tunísia e se estendeu ao Egito, derrubando os governantes que desde há décadas governavam os dois países.

Embora tanto a al-Qaeda como o Ocidente apoiem estas revoluções, mas com objetivos opostos. Os países ocidentais esperam que as insurreições levem a reformas democráticas, enquanto a al-Qaeda quer ver surgir novos governos baseados na sua interpretação particular da lei islâmica.

Fonte:RTP