Produtores esperam reversão no algodão

O pagamento é destinado a um fundo para o setor de algodão e foi acordado entre os dois países depois que a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou os subsídios dados pelo governo americano aos cotonicultores dos Estados Unidos. A suspensão do pagamento foi aprovada pelos deputados americanos, mas ainda deverá ser votada no Senado. …

19/06/2011 09:29



O pagamento é destinado a um fundo para o setor de algodão e foi acordado entre os dois países depois que a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou os subsídios dados pelo governo americano aos cotonicultores dos Estados Unidos. A suspensão do pagamento foi aprovada pelos deputados americanos, mas ainda deverá ser votada no Senado.

Derrota – “Foi uma derrota perigosa. Precisamos ter cautela”, diz Haroldo Cunha, presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), em relação à votação de ontem. Ele acredita, porém, que o quadro pode ser revertido com os senadores. O assunto, diz, está em constante discussão com os parlamentares da situação e também com companhias americanas que receiam os efeitos da aplicação de uma retaliação pelo governo brasileiro.

Acordo bilateral – Pelo acordo bilateral, com a suspensão do pagamento o Brasil poderá aplicar a retaliação a produtos e serviços importados dos Estados Unidos. Com a retaliação, esses produtos e serviços sofreriam uma sobretaxa, impondo uma desvantagem comercial aos fornecedores americanos.

 Indústrias  – A retaliação também não é considerada a melhor saída para as indústrias brasileiras. Há muitas trocas intracompanhias e também compra de insumos dos Estados Unidos. Caso sofram sobretaxas, as importações de insumos dos americanos podem elevar o custo para produção de vários itens no Brasil. “Não podemos aceitar a suspensão do pagamento, a menos que sejam eliminados os subsídios americanos para o algodão”, diz Cunha.

 Interrupção  – Segundo ele, caso o pagamento seja realmente suspenso, a interrupção deve acontecer a partir de outubro, quando começa o ano fiscal americano. Até agora, diz, o governo dos Estados Unidos pagou ao Brasil total de US$ 170 milhões. Cunha explica que os US$ 147 milhões anuais são pagos em 12 parcelas mensais. Pelo acordo, os pagamentos deveriam continuar até a promulgação da nova lei agrícola americana, o que está prevista para o ano que vem, mais provavelmente no segundo semestre.

 Contexto mais amplo  – “A suspensão de pagamento do contencioso do algodão está num contexto mais amplo, de cortes no orçamento americano”, explica Welber Barral, presidente do Brazil Industries Coalition (BIC), entidade que acompanha assuntos de interesse da indústria brasileira no Legislativo americano. “Em meio aos cortes gerais de orçamento está a suspensão do pagamento ao Brasil. Mas os US$ 147 milhões são irrisórios em relação ao orçamento americano.” Barral diz, porém, que representantes do governo americano têm demonstrado preocupação com a suspensão. O receio não é somente com a retaliação. “Isso significaria um recuo nas relações bilaterais”, concorda Cunha.

 fonte: Portal do Agronegocio