Sem cadeira de deputado, Ságuas tenta retornar ao comando da Seduc

 O grupo do ex-deputado Carlos Abicalil, que detém hegemonia no petismo no Estado, decidiu trabalhar nos bastidores três ações paralelas junto ao governo Silval Barbosa. Vai buscar contornar a greve dos profissionais da Educação, como forma de se fortalecer no Palácio Paiaguás, segurar a pasta para o partido, mesmo com a investida do novo PSD …

20/06/2011 10:23



 O grupo do ex-deputado Carlos Abicalil, que detém hegemonia no petismo no Estado, decidiu trabalhar nos bastidores três ações paralelas junto ao governo Silval Barbosa. Vai buscar contornar a greve dos profissionais da Educação, como forma de se fortalecer no Palácio Paiaguás, segurar a pasta para o partido, mesmo com a investida do novo PSD a ser comandado pelo presidente da Assembleia José Riva, de olho na secretaria, e quer substituir Rosa Neide pelo ex-titular Ságuas Moraes, que agora está sem mandato eletivo. Por causa da recontagem e inclusão dos votos que estavam sub judice, o petista perdeu a cadeira para o tucano Nilson Leitão.

   Com R$ 1,3 bilhão por ano, a Educação é detentora do maior orçamento das 23 secretarias da máquina do governo. Sua folha contempla quase a metade dos cerca de 100 mil servidores estaduais. A corrente petista da qual fazem parte Ságuas, Abicalil e o deputado Alexandre Cesar não quer perder a secretaria. Os petistas criaram, então, ambiente favorável para tentar convencer Silval a aceitar retorno do ex-deputado. Conspirando internamente, eles próprios começam a pintar um cenário de crise difícil de ser contornado pela secretária Rosa Neide que, curiosamente, pertence ao mesmo grupo. Apresentam Ságuas como alguém com maior peso político, experiente e capaz de, no cargo de secretário, “costurar” entendimento com a categoria.

    Ságuas conduziu a Educação no segundo mandato do governo Blairo Maggi e continuou na pasta com Silval. Só se afastou no ano passado para concorrer a deputado federal. Agora, 14 meses depois e sem mandato, quer voltar ao posto de secretário. Seu retorno para o Executivo seria também uma forma de se “autoblindar”. Ex-prefeito de Juína por duas vezes e ex-deputado estadual também por dois mandatos, o petista possui habilidade política e boa relação com a maioria dos parlamentares. Assumindo a Seduc, atuaria como bombeiro para apagar incêndio e não deixar a Assembleia queimar o governo e sua gestão, como vem ocorrendo.

    Desconfiança

    O governador só não bateu o martelo quanto ao pleito encampado por alguns petistas porque está desconfiado de que a greve dos educadores que começou a “pipocar” há duas semanas tem orientação do comando do partido. Ademais, o PT saiu menor das eleições do ano passado, já que amargou as derrotas de Abicalil para senador, de Serys Marly para deputada federal e de outras lideranças, como de Alexandre e Verinha Araújo, derrotados na corrida à cadeira na Assembleia. Mesmo assim, o governador, que continua fazendo concessões para manter uma base ampla, sinaliza que vai atender o PT. Pelas negociações e pressões nos bastidores, Ságuas pode assumir a Seduc até o final deste mês.

 fonte: RD NEWS