Produtores realizam o primeiro corte do pau de balsa em seis municípios de MT

Para contribuir com o desenvolvimento sustentável surge o Pau de Balsa como uma atividade florestal produtiva para o Estado. Com uma área plantada de 3,7 mil hectares, produtores dos municípios de Mirassol D’Oeste, Nossa Senhora do Livramento, Rosário Oeste, Várzea Grande, Canabrava do Norte e Salto do Céu realizam o primeiro corte da árvore retirando …

22/06/2011 13:16



Para contribuir com o desenvolvimento sustentável surge o Pau de Balsa como uma atividade florestal produtiva para o Estado. Com uma área plantada de 3,7 mil hectares, produtores dos municípios de Mirassol D’Oeste, Nossa Senhora do Livramento, Rosário Oeste, Várzea Grande, Canabrava do Norte e Salto do Céu realizam o primeiro corte da árvore retirando entre 40 a 50 metros cúbicos por hectare. O pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Décio Teruo Miyajima, ressalta que técnicos estão auxiliando os produtores no corte correto da madeira para garantir maior aproveitamento e rendimento por hectare.

Conforme Décio, essa madeira será exportada para países Europeus e Asiático. Ele esclarece que o volume de produção no Estado ainda é pequeno. Para abastecer a indústria é necessário o plantio de 700 hectares de pau de balsa por ano, em torno de 100 mil metros cúbicos. Devido o plantio recente, sem muita técnica os produtores estavam entregando a madeira em toras. Com auxílio de técnicos de uma empresa exportadora estão serrando as madeiras na propriedade, evitando o desperdício e com maior aproveitamento no padrão internacional.

No segundo desbaste, que acorre após dois anos do primeiro corte, a produtividade pode chegar a 100 metros cúbicos por hectare, totalizando entre os dois corte até 150 metros cúbicos por hectare. Após o plantio, a muda em alguns meses atinge 2,4 metros de altura e em dois anos, pode chegar a mais de 6 metros. O cultivo pode atingir a marca de 20 metros de altura e 50 centímetros de diâmetro em cinco anos, e na maturidade, pode medir 30 metros de altura e 70 centímetros de diâmetro.

O produtor rural, Jair Calvo, do município de Nossa Senhora do Livramento, plantou 35 hectares de pau de balsa e 40 hectares de eucalipto. Está realizando o primeiro desbaste das árvores e já se prepara para plantar mais 50 hectares de pau de balsa. Ele destaca que o metro cúbico da madeira serrada está sendo comercializado por R$ 150,00, e espera que o preço chegue a R$ 250,00 o metro cúbico. “A madeira é muito bonita e considerada nobre, estou empolgado com o cultivo e espero que novas empresas instalem no Brasil”, ressalta Jair.

Há cinco anos pesquisando o pau de balsa, Teruo explica que a madeira pode ser utilizada em plantios mistos destinados à recomposição de áreas degradadas de preservação permanente, graças ao seu rápido crescimento e tolerância à luminosidade. Sua madeira é de baixa densidade, mas de grande resistência a tensões. A madeira é macia e fácil de ser trabalhada. Pelas suas características é ideal para construção de jangadas, balsas, salva-vidas, bóias e brinquedos. O pau de balsa ainda pode ser utilizado na construção de maquetes, caixas leves, artesanatos e pode substituir a cortiça. É igualmente apropriado para fabricação de papel e celulose, já que suas fibras são longas e produzem um tipo de celulose de alta qualidade.

E ainda pode ser utilizados para fazer aeromodelos e alguns tipos de embarcações, carrocerias de caminhões, barcos , isolante térmico, acústico e outros. Décio menciona que uma empresa de compensados no município de Guarantã do Norte (715 km ao Norte da capital), está realizando teste com a madeira para verificar a sua resistência e potencialidade para produção de compensados e móveis em Mato Grosso.

E num trabalho inédito com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empaer e Cooperativa de Produtores de Pau de Balsa de Mato Grosso vão pesquisar novos materiais genéticos da madeira e montar projetos de pesquisas para o setor florestal incluindo eucalipto, teca e outras. Segundo o pesquisador, no futuro a intenção é produzir mudas in vitro para garantir um padrão da madeira a ser comercializada.

fonte: Secom