Como cultura de inverno, biodiesel implusiona plantio de canola

E entre os produtores rurais principalmente do sul do país cresce o interesse pela planta como cultura de inverno. Os agricultores aproveitam a fria estação para plantios diferentes a fim de reciclar nutrientes do solo e não diminuir a produtividade da safra seguinte, de trigo ou soja, por exemplo. O cultivo de canola no Brasil …

23/06/2011 09:13



E entre os produtores rurais principalmente do sul do país cresce o interesse pela planta como cultura de inverno. Os agricultores aproveitam a fria estação para plantios diferentes a fim de reciclar nutrientes do solo e não diminuir a produtividade da safra seguinte, de trigo ou soja, por exemplo.

O cultivo de canola no Brasil iniciou em 1974, no Rio Grande do Sul, e nos anos 1980, no Paraná, mas apenas nos últimos anos e a partir do avanço nas pesquisas científicas, a canola tornou-se parte da alimentação e do dia-a-dia do brasileiro. A área média colhida de canola no país passou de 11.400 hectares, no período 1980-1997, para 32.300 hectares no período 2002-2007.

O plantio deste produto, de acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (ABrasCanola), Fabio Benin, é um novo impulso à cultura de inverno por conta do aumento da procura de biodiesel. “O óleo da canola pode ser misturado ao óleo de soja sem modificação no processo de composição do biodiesel. O que não acontece com outros óleos. Além disso, o padrão de óleo vegetal utilizado na produção do biodiesel no mercado europeu é o óleo de canola”, afirmou Benin.

“Não podemos esquecer dos benefícios agronômicos da canola, esta oleaginosa, que não hospeda fungos prejudiciais. Além disso, pesquisas demonstram que a canola tem obtido excelentes resultados de produtividades em área de cerrado, fazendo com que esta planta se torne mais uma alternativa para os produtores do estado do sudeste e centro-oeste. Esperamos que ela siga o caminho do trigo, que hoje é cultuvado com sucesso em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais”, explica Leonardo Machado, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás – FAEG, para área de Cereais, Fibras e Oleaginosas.

Expectativa

A garantia de comercialização, propiciada pelo mercado do biocombustível, tem dado segurança ao produtor para investir mais. Hoje são mais de 300 envolvidos em programas de fomento. O pesquisador Gilberto Tomm, da Embrapa Trigo, afirma que para a safra deste ano a área semeada no Brasil cresceu 41%, passando de 41.976 ha para 59.100 há (confira o crescimento por estado no quadro abaixo). A este crescimento, Benin agrega duas características ao processo: a previsão de clima frio e seco – ideal para a produção da cultura – e o aumento do nível de fertilidade na semeadura.

De acordo com a ABrasCanola os rendimentos neste ano devem alcançar de 1500 à 1800 kg/ha, ou seja, de 25 a 30 sacas/ha e o custo da produção deve ficar em torno de R$ 600,00 por hectare.

 Benefícios 

Os derivados da canola possuem características nutricionais importantes tanto para o homem quanto para os animais. O óleo de canola é rico em Ômega-3, conhecido por reduzir triglicerídeos e controlar a arteriosclerose, em vitamina E; gorduras mono-saturadas. Entre todos os tipos de óleos vegetais é o que possui menor teor de gordura saturada. Já o farelo de canola tem de 34 a 38% de proteínas, um excelente suplemento em rações para bovinos, suínos, ovinos e aves.

 Canola em números 

◦No RS a área semeada aumentou 29%, passando de 25.960 ha para 33.500 ha.
◦No PR a área semeada aumentou 79%, passando de 12.840 ha para 23.000 ha.
◦No MS a área semeada aumentou 41%, passando de 2.130 ha para 3.000 ha.
◦Em SC a área semeada aumentou 30%, passando de 386 ha para 500 ha.
◦Estima-se que a área de 600 ha de cultivo foi mantida no MG.
◦No MT foram semeados 60 ha em 2010.
 fonte: Portal do Agronegocio