Estátua ‘milagrosa’ retorna a povoado do Equador após 59 anos

O monólito pré-colombino conhecido como San Biritute, ao qual muitos atribuem poderes sobre a fertilidade e a chuva, retorna nesta semana à localidade equatoriana de Sacachún, de onde foi retirado há mais de meio século, época que coincidiu com o início de períodos de secas e com o êxodo da população. Descoberto no Cerro Las …

13/07/2011 14:09



O monólito pré-colombino conhecido como San Biritute, ao qual muitos atribuem poderes sobre a fertilidade e a chuva, retorna nesta semana à localidade equatoriana de Sacachún, de onde foi retirado há mais de meio século, época que coincidiu com o início de períodos de secas e com o êxodo da população. Descoberto no Cerro Las Negras em 1869, a estátua foi trasladada à vizinha Sacachún. Em 1952, e contrariando a vontade popular, militares levaram a escultura, de 2,35m de altura e quase uma tonelada, a uma rua de Guayaquil, onde permaneceu por vários anos antes de ser exposta em um museu.

Sua forma fálica e a presença do pênis geraram polêmica em Sacachún, onde a Igreja também não via com bons olhos o fato de muitas pessoas santificarem o monumento e lhe atribuírem poderes, destacou Joaquín Moscoso, diretor de Projetos Emblemáticos do Ministério Coordenador do Patrimônio do Equador. “As pessoas lhe atribuíam um valor simbólico e certos tipos de propriedades até mesmo metafísicas”, explicou Moscoso, que afirmou, no entanto, que não se pode classificar esse tipo de culto como pagão. Sacachún, uma localidade dedicada basicamente à criação de animais, é uma comunidade cristã que, segundo Moscoso, necessitava fortalecer sua identidade com certos elementos simbólicos como San Biritute.

Moscoso espera que a Igreja Católica não se pronuncie sobre o retorno de San Biritute à província de Santa Elena, pois, segundo ele, já foram superados os “obscurantismos”, tanto que o representante do arcebispo na região, Eduardo Castillo, considera que o monólito não tem relação com o âmbito religioso. “(O monólito) pertence ao patrimônio ancestral e, por isso, se considera que é correto que, para as raízes culturais, fique aí”, disse o sacerdote, ao assegurar que “não é prudente nem legítimo” se opor a seu retorno se o objetivo é cultural.

Precedida de lendas sobre supostos benefícios para a fertilidade, para atrair as chuvas e a abundância, a escultura chegará no próximo sábado a Sacachún, onde a população local sempre quis seu retorno. “Quando a levaram, perdemos nossa identidade”, disse Francisco Lino, ex-prefeito da região, que acrescentou que “as pessoas começaram a emigrar depois disso. Dos cerca de 300 habitantes que tinha em meados do século passado restam apenas 72. Além disso, ele afirmou que após a saída do monólito a região enfrentou escassez de água e, embora não se acredite que com seu retorno volte a chover, Lino está convencido de que a identidade da região será reforçada.

Lino também garantiu que só de mencionar o nome San Biritute a comuna de Sacachún já está saindo do “abandono”. “Estão sendo realizadas obras. Praticamente já são ‘milagres’ do santo”, afirmou. Agora em Sacachún chovem os compromissos governamentais para melhorar a educação, apoiar o turismo, capacitar empresas de pequeno porte, entre outros. Apesar de Lino, de 46 anos, não ter podido comprovar os poderes que foram atribuídos a”San Biritute, ele está disposto a transmitir a seus filhos o que chamou de uma “linda história”, um sincretismo cultural que poderão contemplar na praça central da comuna.

fonte: Terra