60% do aumento das exportações em 2011 vem de produtos básicos

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (1º) revelam que, do crescimento total de US$ 33,69 bilhões nas exportações brasileiras nos sete primeiros meses deste ano, para US$ 140,5 bilhões, 60%, o equivalente a US$ 20,21 bilhões, referem-se às vendas externas de produtos básicos. De janeiro a julho deste …

01/08/2011 17:59



Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (1º) revelam que, do crescimento total de US$ 33,69 bilhões nas exportações brasileiras nos sete primeiros meses deste ano, para US$ 140,5 bilhões, 60%, o equivalente a US$ 20,21 bilhões, referem-se às vendas externas de produtos básicos.

De janeiro a julho deste ano, as exportações de produtos básicos somaram US$ 66,85 bilhões, contra US$ 46,64 bilhões em igual período de 2010. Já as vendas de produtos semimanufaturados cresceram US$ 4,55 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, para US$ 19,49 bilhões, enquanto que as exportações de produtos manufaturados (acabados, com maior valor agregado) apresentaram um crescimento de US$ 8,2 bilhões de janeiro a julho, para 54,17 bilhões.

O aumento das vendas de produtos básicos, neste ano, está relacionado com a elevação dos preços das chamadas “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro, entre outros) no mercado externo. Com o preço em alta, as vendas externas se tornam mais rentáveis – o que aumenta o valor das exportações.

Com o forte aumento das vendas de produtos básicos de janeiro a julho deste ano, sua participação em todas as exportações brasileiras alcançou 47,6%, em comparação com 43,6% em igual período de 2010. Ao mesmo tempo, recuou de 54,2% para 50,3% a participação dos produtos industrializados (semimanufaturados e manufaturados) em igual período de comparação.

Segundo análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), seria inevitável a elevação relativa dos bens primários por conta do aumento dos preços das “commodities” neste ano. Entretanto, o Instituto acrescenta que é necessário que o Brasil preserve uma “relevante diversificação exportadora, resista à tentação de deixar-se levar para a especialização de sua economia em algumas commodities e desenvolva um programa de reindustrialização”.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, reconheceu nesta segunda-feira que os produtos básicos têm uma “importância” muito grande no mercado externo. “Com preços altos, o Brasil aproveita o bom momento. Haverá medidas voltadas a fortalecer a indústria brasileira. Vai de encontro ao interesse de agregar valor à pauta exportadora brasileira”, declarou ela, em referência à nova política industrial, que será anunciada pelo governo brasileiro nesta terça-feira (2).

Para o economista da CNI, Flavio Castelo Branco, a expectativa do setor produtivo sobre pacote de estímulo à competitividade das empresas brasileiras, que será anunciado amanhã pelo governo federal, é grande. “Participamos da discussão, mas quem elabora a política é o governo. Estamos com a expectativa de que parte das adversidades, de tributação sobre investimento, encargos sobre mão de obra, custo de capital e acesso a recursos, além da questão de logística, que faz com que o custo de colocação do produto brasileiro no exterior seja maior, sejam contemplados no pacote”, disse ele.

Fonte:360graus