Comissão quer R$ 1 bilhão para recuperar dependentes químicos

Se setores da segurança pública ainda não se decidiram sobre a melhor fórmula para o combate e prevenção ao uso e tráfico de drogas, as iniciativas com foco na recuperação de dependentes químicos ainda não conseguem demonstrar efeitos práticos satisfatórios. A solução pode estar no investimento do governo federal. Mas as cifras não são pequenas. …

07/08/2011 12:03



Se setores da segurança pública ainda não se decidiram sobre a melhor fórmula para o combate e prevenção ao uso e tráfico de drogas, as iniciativas com foco na recuperação de dependentes químicos ainda não conseguem demonstrar efeitos práticos satisfatórios. A solução pode estar no investimento do governo federal. Mas as cifras não são pequenas. Nos cálculos da Comissão Especial de Políticas sobre Drogas, formada no Congresso Nacional, seriam necessários R$ 1 bilhão para recuperar os milhares de viciados em crack, cocaína e outros entorpecentes. Segundo dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem cerca de 2 milhões de usuários de drogas ilegais.

Segundo os deputados e senadores integrantes da comissão, o montante poderia revolucionar o tratamento de dependentes de drogas. Quando esteve em Maceió para conhecer projetos locais de acolhimento e recuperação de dependentes, em junho, o deputado mineiro Reginaldo Lopes (PT-MG), presidente da Comissão, defendeu a adoção do modelo de recuperação aplicado em países como Portugal. No país lusitano, drogas é tratado como um problema de saúde pública, diferentemente do Brasil onde a questão encontra-se na esfera da policia e do Poder Judiciário.

“Com o modelo que temos atualmente no Brasil não é possível resolver o problema. Em Portugal, por exemplo, o usuário de drogas é um problema de saúde pública, o elo dele não é a polícia ou a Justiça, como acontece aqui em nosso país. Assim, a persuasão funciona muito melhor, pois o cidadão não se vê como um criminoso. Precisamos criar essa estrutura pública de saúde com atenção para os dependentes químicos. Com uma ampla rede de internação”, disse o parlamentar na ocasião.

O deputado alagoano Givaldo Carimbão (PSB), relator da comissão, disse que só esse investimento maciço possibilitará a implantação dessa rede pública de tratamento de dependentes químicos.

“O problema das drogas tornou-se crucial no combate à violência e de uma série de problemas que direta ou indiretamente estão relacionados á criminalidade e ao caos que as grandes cidades enfrentam. E diante da magnitude do problema, a Comissão calcula que seria necessário R$ 1 bilhão para a recuperação. É um montante grande, mas o problema é enorme, e esse valor possibilitaria a construção de uma rede eficaz de acolhimento e recuperação de dependentes químicos de forma séria. Não adianta tratar essa problemática com problemas paliativos. É preciso estrutura física, pessoal qualificado e projetos com uma metodologia moderna, com conceito de ressocialização. E isso custa caro”, afirma o deputado.

EIXOS – A recuperação que, segundo a Comissão do Congresso, custaria R$ 1 bilhão aos cofres públicos, é um dos cinco eixos de atuação da Comissão. Como explica o presidente deputado Reginaldo Lopes.

“A comissão trabalha com cinco eixos: A prevenção, o tratamento, o eixo da inserção social, a repressão e a legislação. E para colher informações para podermos criar políticas públicas eficientes de combate às drogas estamos realizando uma sessão pública em cada estado da federação, um seminário nacional e um seminário internacional”, disse Lopes.

Fonte:OJornal