Supergene permite que borboleta amazônica se proteja de predador

14/08/2011 08:54

Um “supergene” é o responsável pela capacidade da borboleta da Amazônia em imitar em suas asas os desenhos de congêneres venenosas para se proteger dos predadores.
Os desenhos complexos que a borboleta amazônica Heliconus numata ostenta em suas asas permitem a ela imitar seis espécies de borboletas venenosas, de sabor amargo e desagradável para as aves.
O “supergene” em questão está situado em um único cromossomo e compreende cerca de 30 genes que controlam, juntos, muitas características como a cor das asas, que são “herdadas em bloco” pela geração seguinte, explicou Mathieu Joron, do Museu Nacional de História Natural de Paris, que liderou o estudo publicado no periódico científico Nature.
As borboletas Heliconus capazes de imitar suas congêneres venenosas (Melineae) transmitem à suas descendentes esta proteção contra os predadores. A “manutenção de boas combinações”, que permite imitar diferentes espécies de borboletas venenosas, se deve a um “mecanismo quase inesperado”, explicou Joron. “Nós realmente ficamos impressionados com o que descobrimos”, completou
Dentro do “supergene”, a ordem dos genes varia nas borboletas ‘Heliconus’ que ostentam desenhos diferentes. Alguns genes se encontram “de costas uns para os outros”, o que “suprime o processo natural de recombinação” genética no âmbito da reprodução sexuada, afirmou.
Desta forma, “os genes se comportam como blocos colados”, o que evita, segundo o pesquisador, a formação de formas intermediárias de borboletas que perderiam, assim, a vantagem do mimetismo.
A existência de grupos coordenados de genes que formam um supergene já era conhecida em outras espécies, como as flores primaveras ou na camuflagem de mariposas. “Este fenômeno tem intrigado cientistas há séculos, inclusive o próprio Darwin”, afirmou Richard Ffrench-Constant, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

fonte: Midia News

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