Classe C compra mais pela internet

Depois de conquistar a maior fatia da população brasileira, a classe média compra com frequência pela internet. De 2009 para cá são 5 milhões de pessoas com renda de até R$ 3.000 consumindo por esse meio. Ela já compõe 44,6% do e-commerce, que movimentará até o fim do ano R$ 19,240 bilhões, 30% a mais do …

15/08/2011 09:53



Depois de conquistar a maior fatia da população brasileira, a classe média compra com frequência pela internet. De 2009 para cá são 5 milhões de pessoas com renda de até R$ 3.000 consumindo por esse meio. Ela já compõe 44,6% do e-commerce, que movimentará até o fim do ano R$ 19,240 bilhões, 30% a mais do que em 2010, prevê o diretor de marketing Alexandre Umberti, da e-bit, especializada em dados do setor.

Há cinco anos, o veterinário Ricardo Quintero Miatto, de São Bernardo, mantém o hábito de comprar pela web. Sua renda de R$ 3.000 mensais era menor naquela época. “O comércio digital é mais prático. Pesquisar preços é fácil, basta comparar o mesmo item nas principais redes. A entrega é feita em casa.”

Entre os produtos no topo de sua preferência estão os eletrônicos e, mais recentemente, os famosos cupons de desconto das compras coletivas. “Neste caso compro principalmente comida, CD e brinquedo para a minha sobrinha”, diz Miatto. Ele descarta adquirir perfumes, roupas e tênis. “É preciso provar antes de passar o cartão de crédito.” O veterinário gasta entre R$ 200 e R$ 300 todo mês, o que significa até 10% da renda.

A banda larga ajudou a classe C a tornar o e-commerce seu canal de vendas. “Hoje há sites de confiança”, diz Umberti, ao afirmar que a baixa renda opta por produtos de maior valor agregado. Entre eles, geladeiras, TVs, máquinas de lavar roupas além de computadores. Itens opostos às classes altas, que preferem produtos de menor valor, como perfumes, acessórios, medicamentos.

Para o empresário Omar Pucci, sócio fundador do Babyemcasa, que vende produtos para bebês via internet e cujo foco é a classe C, a participação da baixa renda tende a aumentar por conta de outro fator: parcelamentos a longo prazo.

O executivo do MoIP, especializado em pagamentos online de internet, Igor Senra Senra afirma que no início do ano passado 42% das transações da sua base de pagamentos era feita por meio de internet discada. Em dezembro, o número caiu para 26%. Isso porque houve entrada forte da alta conexão, permitindo mais acessos e facilidades para comprar.

Na contramão, alguns problemas apareceram com essa maré de novos consumidores. O número de transações negadas por limite de crédito cresceu 10% do ano passado para cá, segundo Senra. A principal justificativa é porque o crédito ainda é a principal forma de pagamento da classe C. Financiar ainda é opção para 75% dos consumidores, 18% para pagamentos à vista no boleto e o restante para as transferências bancárias.

Sites internacionais ganham espaço

Não é só no comércio digital do País que os adeptos à internet realizam suas compras. Com mais dinheiro, se atravessa fronteiras, comprando pelos sites internacionais. Essa é realidade de 45% dos consumidores da rede. Mas isso não significa que irão abandonar as lojas físicas. Para 27% deles, o fato de elas existirem nas ruas é o que os motiva a apostar na comodidade dessa compra. Os dados são da consultoria GS&MD Galvêa de Souza.

A coordenadora de vendas Camila Bosio Yamauchi, 28 anos, faz parte desse percentual. Uma amiga fez compras fora do País para seu casamento. Camila pegou carona na iniciativa, viu num site norteamericano uma rosa de enfeitar o cabelo. Custava apenas US$ 10. Como também casaria – a cerimônia foi em maio -, e com tempo para pesquisar, saiu às ruas na busca por uma semelhante. Rodou a Rua 25 de Março, e nada. “Sinceramente, em São Paulo jamais acharia por aquele preço. Custaria mais de R$ 70. Fora que não achei igual no Brasil.”

Camila descartou o receio de ficar na mão e apostou seus R$ 30 – valor final, com frete, do enfeite – e pouco tempo depois o recebeu em casa.

Agora, ela não pensa em parar. Dando certo a primeira tentativa, irá apostar nos xampus e cosméticos. Esses, diz ela, “vale muito mais a pena” serem comprados lá fora, por valores menores.

Mas é preciso cuidado na hora de comprar em sites internacionais. Atenção quanto ao custo final da mercadoria e tributos é importante, já que podem tornam o barato, caro. Livros, jornais e periódicos podem ser importados com isenção de pagamento de impostos, embora quanto maior o volume, maior será o valor do frete internacional.

Comércio on-line requer cuidados dos consumidores

Falta orientação de consumo na internet. A tese é do especialista em direito digital, Leandro Bissoli. A consequência é a elevação de problemas com as compras feitas na web. Precauções, como checar os dados dos vendedores digitais, se o site de compra apresenta o símbolo de cadeado no pé do navegador e se a conexão é segura (caracterizado como “https://) ajuda a evitar armadilhas de fraudadores, que coletam dados bancários, clonam cartões de crédito e roubam informações pessoais, além de acessos indevidos à conta bancária.

Bissoli destaca que isso ajuda a evitar o risco de comprar um produto e, depois, ficar a ver navios. “É preciso atentar para preços que, de tão baixos, chegam a ser impraticáveis, sobretudo em épocas de festas, como Natal.”

A saída é evitar transferências bancárias para vendedores que não disponibilizam suas informações. Do contrário, dificilmente o cliente revê seu dinheiro. “Nesse caso, é preciso entrar com medida judicial, identificar de onde foi feita a fraude.”

Para ajudar nesses casos, o Procon disponibiliza o site (www.procon.sp.gov.br), a fim de orientar o consumidor da rede.

Fonte:DGABC