E o resíduo sólido? Existem planos?

Dia desses, um amigo internauta, fez uma colocação interessante, segundo a qual os advogados dão palpites em qualquer tema sem a necessária formação científica. Ocorre que somente será verdadeiro advogado aquele que consegue esclarecer pontos que aparentemente escapariam de outros profissionais, sem ter a formação técnica. Bem, lá vou novamente mexer em coisa estranha tecnicamente, …

02/09/2011 09:31



Dia desses, um amigo internauta, fez uma colocação interessante, segundo a qual os advogados dão palpites em qualquer tema sem a necessária formação científica. Ocorre que somente será verdadeiro advogado aquele que consegue esclarecer pontos que aparentemente escapariam de outros profissionais, sem ter a formação técnica. Bem, lá vou novamente mexer em coisa estranha tecnicamente, porém quase vizinha de meu portão.

Cuiabá e Várzea Grande somam quase um milhão de habitantes, contando é óbvio com milhares de moradias, individuais e coletivas; é também considerável o número de estabelecimentos comerciais e indústrias, assim como de prestação de serviço, e todos, indistintamente, produzem toneladas diárias de resíduos sólidos.

Quem sabe dizer com absoluta convicção e certeza para onde estão indo esses resíduos e como são tratados? Creio que poucos serão capazes de ter a resposta. Não tenho, embora esteja curioso em saber e poder ver ao vivo, em cores e cheiro.

Não me parece crível que essas cidades, e, em especial Cuiabá que está se preparando para acolher a Copa de 2014, esteja sem um planejamento nessa área. Não vi nos noticiosos e nem nos planos da Agecopa uma linha sequer sobre o tema. Se há um legado que Cuiabá e Várzea Grande devem obter é o de melhores indicadores nas condições de saúde.

E esse para que esse legado  se materialize ao lado de novos e modernos hospitais, prontos socorros, policlínicas e posto de atendimento da saúde familiar, o tratamento dos resíduos sólidos  e do esgotamento sanitário são pilares indispensáveis. O PAC já está tratando do esgotamento sanitário, resta saber quem tratará dos resíduos sólidos.

Não se tem saúde sem o tratamento dos resíduos. É preciso, pois, que haja disposição política para atacar os problemas que não são poucos. Lembro que a não existência de tratamento de resíduos acarreta também danos ao meio ambiente.

Não podemos admitir mais a existência de “lixões” como o de Várzea Grande (saída para Livramento). O de Cuiabá não sei onde é! Os lixões todos sabem, representam o primitivismo, é um filho feio do qual ninguém quer ser o pai, embora vivam criando e escondendo nos arredores das cidades.

Esses lixões a céu aberto representam um grande risco à saúde, via de regra há queimadas e o lixo sem tratamento algum pode exalar substâncias tóxicas, pondo em risco a população e o próprio meio ambiente.

Há também os chamados aterros sanitários, onde os resíduos sólidos são depositados em terrenos impermeabilizados, compactados e cobertos. Ocorre que esse sistema também é inviável ao longo do tempo devido ao crescimento da cidade, o que certamente eleva o quantitativo de resíduos a serem tratados.

O certo seria desde cedo haver uma educação ambiental, o que não foi o caso de minha geração, que levasse à uma consciência ambiental coletiva, onde a participação fosse permanente e metódica, cobrando das autoridades soluções ecologicamente corretas. Essa ausência de consciência coletiva faz com que os órgãos ambientais sejam sobrecarregados de missões e despendendo grandes recursos operacionais.

Deixo a solução aos técnicos. Não suba o sapateiro além da chinela. — Ne sutor ultra crepidam . No entanto, por viver no mesmo ambiente sinto que um grande passo seria a reciclagem daquilo que é possível, e, a incineração, dos não recicláveis. É óbvio que a incineração seria feita em fornos dotados de filtros e com a possibilidade de aproveitamento da energia resultante.

A Copa de 2014 exige esse jogo antecipado, fora das quatro linhas, onde são disputadas e discutidas as melhores soluções para as cidades sedes. A Copa deve ser ganha também fora de campo,  nós não moraremos na Arena Pantanal!

É bom nunca esquecer que as obras do PAC (saneamento básico) devem anteceder às da mobilidade urbana, já pensaram em esburacar tudo para passar manilhas e tubulações de água após o asfaltamento das vias? Os moradores do Santa Amália  e região já sentiram o drama.

São coisas que não se devem repetir. Temos engenheiros capazes, excelentes ambientalistas, estudiosos da viabilidade urbana com sustentação da biodiversidade, porque não consultá-los? Só sabe administrar quem sabe obedecer. E obedecer ao bom sendo é o primeiro dos passos em busca de soluções inteligentes.

É o que penso.

Por:Álvaro Marçal Mendonça – Advogado e Corinthiano