Exportações em 2012 são “grande interrogação” para empresas

O recorde do resultado da balança comercial deste ano, até agosto, apresentado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) “é só preço”, nas palavras de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A entidade que representa exportadores e importadores do País prevê que uma retração maior da …

02/09/2011 08:58



O recorde do resultado da balança comercial deste ano, até agosto, apresentado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) “é só preço”, nas palavras de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A entidade que representa exportadores e importadores do País prevê que uma retração maior da economia internacional poderá levar à queda significativa do preço das commodities (produtos primários, como agrícolas ou minerais, negociados em bolsas mundiais). São as commodities exportadas as grandes responsáveis pelo gordo saldo comercial do Brasil – que já acumula superávit de US$ 20 bilhões de janeiro a agosto. “O resultado de 2011 é excelente, mas 2012 é uma grande interrogação e pode até ser negativo.”

Castro vê um risco duplo para o próximo ano, se a crise agravar: uma queda no preço das commodities que afete significativamente nossas exportações (71% do que vendemos para fora são commodities) e uma desaceleração global que faça recuar o volume de produtos adquiridos. “Temos risco de queda de preço e de quantidade. Seria prejuízo duplo.”

Esse risco de uma recessão global levou o Banco Central a surpreender na quarta-feira e anunciar um recuo de 0,5 ponto percentual na taxa básica, que foi a 12% ao ano.

Para Castro, outro incremento nesse risco, que pode levar até a balança comercial a apresentar déficit em 2012, é a perspectiva de manutenção do real valorizado. “No próximo ano há eleições e ninguém vai querer riscos à economia interna com uma desvalorização alta.”

Governo não vê recuo de commodities

O secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, afirmou ontem, porém, que apesar de forte retração da economia mundial, o Brasil vê um crescimento da sua produção industrial. Portanto, o Brasil poderia preservar resultados exportando mais produtos manufaturados. Para Teixeira, porém, “o preço das commodities não vai cair porque crise não tira demanda por alimento”.

Teixeira destacou ontem, ainda, que tradicionalmente há uma retração da corrente de comércio exterior no segundo semestre, mas, ainda assim, os números devem se manter positivos nos próximos meses. O secretário evitou previsões sobre a corrente de comércio e o saldo da balança comercial em 2012.

Fonte:JB