Em jogo nervoso, Brasil perde set, mas vence Argentina e é campeão

A estrela mais experiente foi a que brilhou mais forte. No saque, no bloqueio e no ataque, Dante usou sua versatilidade para acalmar os companheiros e agredir os rivais como sabe fazer melhor: cravando uma bola atrás da outra saltando do fundo de quadra. Em uma partida emocionante, com direito a discussão entre Bernardinho e …

25/09/2011 20:45



A estrela mais experiente foi a que brilhou mais forte. No saque, no bloqueio e no ataque, Dante usou sua versatilidade para acalmar os companheiros e agredir os rivais como sabe fazer melhor: cravando uma bola atrás da outra saltando do fundo de quadra. Em uma partida emocionante, com direito a discussão entre Bernardinho e Weber, técnico argentino, o ponteiro comandou o Brasil na suada vitória sobre a Argentina: 3 sets a 1 (25/20, 19/25, 25/23 e 25/21) que garantiram a invencibilidade, o título e a hegemonia absoluta do Sul-Americano em um ginásio lotado.

O triunfo rendeu à seleção a 28ª conquista em 29 edições do torneio. A única vez que o time verde e amarelo não levantou o caneco foi em 1964, quando desistiu de disputar a competição devido ao conturbado momento político que o país atravessava. Na ocasião, os hermanos foram campeões.

– Até o final da partida, o nosso foco estava totalmente voltado para o Sul-Americano. Sabíamos que seria um jogo complicado, estudamos muito o time da Argentina e estou feliz por termos conseguido essa vitória. Queríamos muito esse título e, a partir de agora, passamos a pensar na Copa do Mundo

Brasil supera erros e larga na frente

Brasil e Argentina entraram em quadra com força máxima, mas as duas equipes começaram a partida cedendo pontos em série, em saques na rede ou ataques para fora. Enquanto os argentinos foram melhores com Quiroga, Marlon encontrou segurança pelo meio, com Sidão e Lucão. Quando a jogada ficou marcada, Dante deixou os marcadores rivais tontos. Do fundo de quadra, o ponteiro cravou uma atrás da outra e deixou o Brasil com três pontos de vantagem. Com Bruninho e Théo em quadra, os hermanos cometeram erros bobos, e Javier Weber gastou dois tempos técnicos. A segunda bronca surtiu efeito, mas um bloqueio de Murilo pôs fim ao esboço de reação: 25/20.

Na segunda etapa, o bloqueio argentino se transformou em uma muralha quase intransponível. Wallace, parado quatro vezes, deu lugar a Théo. Marlon explorou mais a rapidez junto à rede, mas logo o time alviceleste se recompôs e usou a mesma moeda com Crer e Sole. Quando a vantagem chegou a seis pontos, Bernardinho foi à loucura e gastou o segundo tempo técnico. Sidão recuperou parte do moral da equipe com bloqueios e contra-ataques rápidos, mas Quiroga, em uma largadinha, roubou o primeiro set do Brasil na competição: 25/19.

Bernardinho e Weber discutem, e clima pega fogo

A seleção voltou para o terceiro set bem mais ligada e, em parte graças a Lucão, chegou com folga ao primeiro tempo técnico: 8/3. A Argentina cresceu com Conte, e Bernardinho parou o jogo quando a vantagem se reduziu a apenas um ponto. Dante apareceu bem para manter a seleção na frente. O camisa 7 argentino e o levantador De Cecco, que abusou das bolas de segunda, mantiveram seu time na cola no placar. Um bloqueio de Lucão alargou a vantagem, e Weber pediu tempo.

Quando a Argentina se preparava para sacar, Bernardinho reclamou que Conte estava molhando a bola. O técnico argentino não gostou e começou a discutir asperamente com o brasileiro. A torcida, em peso, passou a vaiar o comandante rival, abalando os hermanos. Na volta, Conte arriscou e sacou para fora. O Brasil, então, fechou o set na sequência, em 25/23.

No intervalo, quando Bernardinho e Weber trocaram de lado, o brasileiro tentou amenizar o clima, mas ouviu uma série de palavrões de volta. Alheios à pequena confusão, os atletas voltaram à quadra concentrados e logo deixaram o Brasil com ligeira folga no marcador. Lucão foi eficiente no ataque e no bloqueio, assim como Murilo em um segundo momento. Os argentinos tentaram responder, mas perderam mais tempo se queixando da arbitragem do que comemorando os próprios pontos.

Após o segundo tempo técnico, Giustiniano encaixou uma boa sequência e reduziu a vantagem. Uma marcação duvidosa levou Murilo e Bernardinho a reclamarem com os juízes, e o treinador levou um cartão amarelo. A aproximação dos argentinos no placar na sequência fez o comandante verde e amarelo parar o jogo. A pausa acalmou parcialmente os ânimos, e Sidão brilhou no bloqueio. No saque chorado, também foi do central o ponto do título: 25/21.

Nos dois jogos que abriram a rodada, a Venezuela bateu o Paraguai por 3 set a 0 (25/19, 25/16 e 25/18) no Aecim Tocantins. No ginásio da UFMT, a Colômbia superou o Uruguai por 3 sets a 1 (25/17, 25/20, 22/25 e 25/16), em jogo interrompido pela falta de luz no local.

Confira a classificação final do Sul-Americano:

1º – Brasil
2º – Argentina
3º – Venezuela
4º – Colômbia
5º – Chile
6º – Paraguai
7º – Uruguai

Fonte:G1