Bancários voltam ao trabalho hoje, após 21 dias de greve

18/10/2011 12:10



As agências bancárias voltam a abrir normalmente hoje. Depois de 21 dias de greve, a maioria dos sindicatos dos trabalhadores das instituições financeiras decidiu aceitar a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e retomar as atividades. A proposta estabelece reajuste de 9% sobre os salários e de 12% sobre o piso da categoria, válido a partir de 1º de setembro. Ficou acordada ainda a valorização do piso salarial, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o não desconto de dias parados, entre outras conquistas.

Os bancários entraram em greve em 27 de setembro, por tempo indeterminado. A proposta patronal contemplava reajuste de 8% sobre os salários. A reivindicação inicial da categoria era de 12,8% de reajuste, sendo 5% de aumento real. A greve foi a maior realizada pela categoria nos últimos 20 anos. As propostas da Fenaban foram aceitas em todo o estado de Pernambuco e em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Campinas, Uberaba, Londrina, Criciúma, Blumenau, Teresópolis, Vitória da Conquista e Dourados, entre outras. Várias assembleias ainda se encontravam em andamento até o fechamento desta edição. A greve chegou a paralisar 9.254 agências e vários centros administrativos de bancos públicos e privados no país.

O valor do piso sobe de R$ 1,25 mil para R$ 1,4 mil. Os bancários vão receber da instituição em que trabalham até 2,2 salários por ano, a título de PLR. Os dias parados dos bancários não vão ser descontados, pois os trabalhadores vão repor as horas sem trabalho até 15 de dezembro. “A aprovação das propostas coroa mais uma campanha vitoriosa dos bancários, em que enfrentamos cenário econômico e político adverso”, avalia Carlos Cordeiro, coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Os trabalhadores vão ter aumento real pelo oitavo ano consecutivo. De acordo com a Fenaban, o auxílio-refeição será de R$ 19,78 e a cesta-alimentação passa para R$ 339,08 por mês, além de 13ª cesta no mesmo valor. O auxílio creche mensal será de R$ 284,85 por filho até seis anos. A proposta dos bancos inclui também avanços sociais. “Uma nova cláusula proíbe a divulgação de rankings individuais dos funcionários, como forma de frear a cobrança das metas abusivas, combatendo o assédio moral”, destaca Cordeiro.

Lotéricas ficam no prejuízo

As filas nas casas lotéricas cresceram vertiginosamente no período da greve dos bancários, mas, em contrapartida, o faturamento das unidades caiu até 20%. A soma parece contraditória, mas a explicação é de certa forma simples: os serviços procurados pelos consumidores nos 21 dias que durou a greve são mais complexos e sua conclusão mais demorada, o que significa maior tempo para atendimento dos consumidores.

Do início do movimento de greve até ontem, as operações de saque e depósito mais que dobraram nas casas lotéricas. Por tratar-se de situações que gastam mais tempo para finalizar o atendimento, a espera prolongou as filas e, com isso, a impressão foi de aumento significativo dos clientes, mas isso não ocorreu.

Outro fator também pode ajudar a entender a mudança nas lotéricas. Com a greve dos Correios, as contas não chegaram às casas, permanecendo em atraso. “O pagamento de um boleto é muito mais fácil. Basta passar a conta no leitor e receber o dinheiro. Enquanto para sacar dinheiro é preciso digitar senha, esperar a máquina reconhecer os códigos e o dinheiro sair e muitas vezes o sistema trava”, afirma o presidente do sindicato, Marcelo Gomes Araújo, reiterando que a solução em movimentos grevistas nos próximos anos pode ser a adoção de um caixa exclusivo para atender clientes com cartão e outros destinados às demais operações. “Para piorar, o sistema da Caixa (Econômica Federal) é lento”, crítica.

Fonte:Pernambuco





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