Acordo conclusivo parece ilusório em cúpula da UE

Autoridades da UE e diplomatas europeus baixaram as expectativas de um grande avanço para quando os 17 líderes da zona euro se reunirem, às 15h30 (horário de Brasília), apesar das garantias franco-alemãs de que uma “solução abrangente” anticrise será encontrada até o fim do mês. Os líderes podem concordar apenas em linhas gerais e deixar …

26/10/2011 10:35



Autoridades da UE e diplomatas europeus baixaram as expectativas de um grande avanço para quando os 17 líderes da zona euro se reunirem, às 15h30 (horário de Brasília), apesar das garantias franco-alemãs de que uma “solução abrangente” anticrise será encontrada até o fim do mês.

Os líderes podem concordar apenas em linhas gerais e deixar detalhes cruciais, como os números sobre o desconto em dívida grega e sobre os fundos disponíveis para combate, para uma negociação posterior entre os ministros das Finanças.

Embora haja amplo consenso sobre a necessidade de uma injeção de cerca de €110 bilhões para o sistema bancário europeu resistir a um eventual default da dívida grega e a um maior contágio financeiro, havia pouca clareza sobre as outras duas partes críticas do plano.

Governos e os bancos ainda estavam discutindo, horas antes da cúpula, sobre a escala da perda que os investidores privados terão de sofrer nos títulos gregos que possuem, de acordo com fontes familiarizadas com as negociações.

E muitas incertezas permanecem em torno dos complexos planos para ampliar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF), sem que seja permitido recorrer ao Banco Central Europeu (BCE).

Uma proposta definida para ser adotada envolve a criação de um veículo de investimento para fins especiais, que recorreria a investidores estrangeiros soberanos e privados, tais como fundos soberanos da China e do Oriente Médio, para comprar títulos de países conturbados da zona euro.

A delegação da UE em Pequim disse que o chefe do EFSF, Klaus Regling, visitará a China na próxima sexta-feira.

O outro método proposto para a expansão do EFSF envolve usá-lo para oferecer garantias parciais aos compradores de nova dívida da zona do euro. As duas opções podem ser usadas em combinação.

Desconto de  50%?

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse aos bancos do país nesta quarta-feira que o resultado mais provável das negociações é um desconto de 50% para os credores privados, que receberiam dinheiro e novos títulos em troca da dívida.

Citando fontes em Bruxelas, onde o ministro tem se reunido com banqueiros, o jornal Kathimerini disse que, neste cenário, os bancos receberiam €15 em dinheiro e €35 em títulos de 30 anos, com um cupom de 6%, por cada €100 em dívida que possuem.

A proporção exata de títulos e dinheiro ainda pode mudar, disse.

Fontes do setor bancário e funcionários da UE disseram à agência inglesa de notícias Reuters que os bancos tinham oferecido até agora uma redução de 40% no valor presente líquido das seus títulos, enquanto os governos tinham inicialmente buscado um desconto “voluntário” de 60% sobre o valor nocional.

Os mercados financeiros esperam há semanas que a cúpula produza uma solução detalhada sobre como combater a crise de dívida. A reunião está prevista para começar às 13h, com um encontro de todos os 27 líderes da UE.

Mas fontes do bloco disseram que números podem não se materializar até 7 ou 8 de novembro, quando os ministros das Finanças da UE e da zona do euro realizam sua próxima reunião regular.

Carta de intenções

A incapacidade da Itália em entregar um plano para reformar o seu sistema previdenciário tem levantado dúvidas sobre a seriedade do primeiro-ministro Silvio Berlusconi para enfrentar a crise, que ameaça a terceira maior economia da zona do euro.

Berlusconi trará a Bruxelas uma “carta de intenções” para seus colegas europeus sobre as reformas esperadas, disseram assessores, depois que seu governo quase colapsou na terça-feira, por causa da exigência que Roma cumpra a promessa de aumentar a idade de aposentadoria.

A Itália tem o maior mercado de bônus soberanos da zona do euro, com uma dívida pública de €1,8 trilhão ou 120% do Produto Interno Bruto (PIB). Líderes da UE temem que a incapacidade em tornar sua dívida mais sustentável significa que o país vai da mesma forma como Grécia, Irlanda e Portugal, que tiveram de aceitar programas de ajuda financeira da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O fundo de resgate da zona do euro não contém dinheiro suficiente para salvar a Itália.

Fonte:Correiodobrasil