Medidas apenas dão “sobrevida” à indústria

04/04/2012 09:36



As medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem dar fôlego a alguns setores produtivos, mas não serão suficientes para salvar a indústria brasileira.

“As medidas são positivas, porque desoneram parte do setor produtivo, mas são pontuais e não atacam a raiz do problema”, diz Flávio Serrano, economista sênior do BES Investimento.

Segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira cresceu 1,3% entre janeiro e fevereiro, mas ainda opera bem abaixo do patamar de 2011. Comparando apenas fevereiro deste ano com o mesmo período do ano passado, houve queda de 3,9%.

A alta carga de impostos e infraestrutura deficitária são fatores que tiram a competitividade da indústria brasileira no exterior. “Avançaríamos muito mais se fossem feitas reformas fiscal e tributária”, afirma Serrano.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as medidas são muito pontuais e devem ter impacto final pequeno para o setor. “Parece uma ação desesperada do governo para ajudar a produção industrial neste ano”, diz. “Mas não vai resolver os problemas da indústria, nem dar competitividade para o setor.”

Segundo ele, os custos da indústria têm subido muito nos últimos anos, o que prejudica a manutenção de um ritmo de produção elevado no Brasil.

A crise internacional também contribui para a fraqueza da indústria brasileira. “Falta impulso para o setor, o que se explica em boa medida pela menor demanda externa por produtos nacionais”, diz Serrano.

Para Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria, “o pacote dará sobrevida aos setores envolvidos”, como calçados, móveis, autopeças, naval e bens de capital. “As medidas devem reduzir o custo do trabalho e podem melhorar a competitividade dos exportadores. Mas ainda é cedo para calcular o impacto sobre a atividade industrial”, afirma.

“Do ponto de vista do setor industrial como um todo, é um pacote tímido”, afirma Gilberto Braga, professor de economia e finanças do Ibmec-RJ. Mesmo empresas dos setores incluídos na desoneração da folha de pagamento podem não se beneficiar da medida, avalia o professor.

Isso porque a contribuição atrelada ao faturamento pode chegar a superar o valor que a empresa pagava ao INSS – esse pode ser o caso de empresas de tecnologia, que fabricam produtos de alto valor agregado com um número relativamente pequeno de funcionários, diz Braga.

A desoneração da folha de pagamento anunciada hoje afeta 15 setores, entre eles autopeças, ônibus e aéreo e entrará em vigor em 90 dias. O pacote prevê a redução de 20% no pagamento de INSS pelos setores contemplados, que em contrapartida terão de pagar contribuição ao governo de 1% a 2,5% do faturamento da empresa.

O pacote também prevê aumento dos recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e redução de IPI para montadoras que fizerem investimentos em pesquisa.

Fonte:Exame





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